São José dos Campos (SP) – O Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil deflagraram, nesta quinta-feira (28), uma ofensiva contra suspeitos de financiar e lavar dinheiro do PCC em São José dos Campos. A ação cumpriu três mandados de busca e apreensão, mirando um patrimônio que inclui veículos e imóveis de alto padrão. O bloqueio judicial de R$ 2,5 milhões reflete a tentativa das autoridades de estancar o fluxo financeiro de uma estrutura criminosa montada para disfarçar o lucro do tráfico de entorpecentes.
A estratégia dos envolvidos consistia na utilização de empresas de fachada para transações imobiliárias. O objetivo era claro: esconder a origem, a real localização e a titularidade de valores que, segundo as investigações, derivam diretamente das drogas. O gatilho para o inquérito foi a desproporção evidente entre o patrimônio acumulado pelos suspeitos e a capacidade financeira que eles declaravam possuir.
Os rastros dessa lavagem levam a um nome conhecido pelo sistema de justiça paulista: um ex-integrante do PCC, já falecido, que controlava a venda de drogas na zona sul da cidade. Ele foi um dos alvos da Operação Boate Azul, deflagrada pelo Gaeco em 2016. Um dos investigados nesta nova fase, inclusive, possui uma bagagem criminal robusta, com condenação de 13 anos e 2 meses de reclusão por crimes como falsidade ideológica, tráfico e porte ilegal de arma, sentenças herdadas justamente daquele período.
O legado da Operação Boate Azul
A menção ao passado não é por acaso. A Operação Boate Azul, iniciada em 2016, foi um marco no combate ao crime organizado na região. Naquela época, a ofensiva resultou na prisão de 23 pessoas. O saldo incluiu a apreensão de mais de 100 quilos de maconha e pasta base de cocaína, além de um arsenal de armas e documentos que detalhavam a engrenagem do tráfico na zona sul joseense.
O desdobramento daquela investigação, em outubro de 2017, revelou uma infiltração profunda nas instituições de segurança. Na ocasião, 30 policiais civis foram denunciados por integrar a organização criminosa. A rede incluía ainda advogados e outros civis, todos processados por tráfico, extorsão e corrupção.
O peso das condenações administrativas foi significativo para os 26 policiais civis sentenciados por improbidade. Eles perderam seus cargos públicos, tiveram direitos políticos suspensos por prazos que chegaram a oito anos e foram condenados a pagar multas pesadas. Além disso, a Justiça impôs o pagamento solidário de R$ 2 milhões como indenização por danos sociais, valor que ainda deve ser atualizado com juros. Em outubro de 2023, a lista de punidos aumentou, com a condenação de mais cinco indivíduos pelo crime de lavagem de dinheiro, encerrando um ciclo de perseguição patrimonial que chega agora a um novo capítulo.
