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Amamentação reduz risco de infarto e derrame em mães ao promover 'reset' metabólico
Saúde

Amamentação reduz risco de infarto e derrame em mães ao promover ‘reset’ metabólico

Última atualização: 2 de Agosto, 2026 10:07
Por
Erre Soares
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4 Min Leia
📷 Valter Campanato/Agência Brasil
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As doenças cardiovasculares representam a principal causa de morte entre as mulheres brasileiras — superando o câncer de mama em sete vezes —, mas um hábito natural ajuda a transformar esse cenário. O aleitamento materno reduz em cerca de 11% a probabilidade de a mãe desenvolver problemas cardíacos, em comparação com quem não amamenta, segundo dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

A proteção está diretamente ligada ao tempo de dedicação ao bebê. Quando o período de aleitamento soma cerca de 18 meses, os benefícios se consolidam de forma expressiva: há uma redução de 12% no risco de acidente vascular cerebral (AVC) e de 14% nos casos de infarto. Alexandra Oliveira de Mesquita, vice-presidente do Departamento de Cardiologia da Mulher da SBC, esclarece que a ausência da amamentação não eleva o perigo, mas sim que o ato de amamentar gera uma barreira protetora adicional.

A engenharia biológica do aleitamento

Durante a gravidez, o organismo feminino passa por intensas transformações, acumulando reservas de gordura e registrando elevação do colesterol LDL e da resistência à insulina. A lactação atua justamente como um mecanismo de reinicialização do corpo. Ao produzir o leite, a mulher consome a glicose estocada, melhora a sensibilidade à insulina e regula as taxas de açúcar, mitigando o risco de diabetes. O esforço cardíaco também diminui, já que a pressão arterial e a frequência dos batimentos caem.

Esse processo é impulsionado por um combo hormonal que blinda o miocárdio contra lesões. Ocitocina, prolactina, glicocorticoides, grelina e o hormônio do crescimento entram em ação nesse período. A ocitocina se destaca ao ativar receptores cerebrais que protegem o coração da falta de oxigênio e ao promover a vasodilatação, melhorando o fluxo sanguíneo pelas artérias.

Vulnerabilidades específicas do organismo feminino

Embora fatores como sedentarismo e hipertensão afetem ambos os sexos, as mulheres enfrentam vulnerabilidades particulares. A cardiologista aponta que episódios como a primeira menstruação precoce (aos 9 ou 10 anos) ou tardia (aos 15 ou 16), menopausa antes dos 45 anos, endometriose, ovários policísticos, uso de pílulas anticoncepcionais e complicações gestacionais — como a pré-eclâmpsia e o diabetes gestacional — funcionam como alertas para a saúde do coração.

Campanha global e benefícios múltiplos

A discussão ganha força com o Dia Internacional da Amamentação, celebrado neste sábado (1º), abrindo a campanha do Agosto Dourado. Coordenada pela World Alliance for Breastfeeding Action (WABA), a Semana Mundial do Aleitamento Materno de 2026 traz o tema “Amamentação para um começo de vida sustentável: Fortaleça o que funciona.”

Para além da proteção cardíaca, o aleitamento entrega uma lista extensa de vantagens para a mãe e o bebê. A pediatra Carmen Elias, criadora da Sala de Apoio ao Aleitamento Materno do Instituto de Educação Médica (Idomed), elenca dez pontos fundamentais: a recuperação pós-parto acelerada, proteção contra doenças diversas, estímulo ao desenvolvimento infantil, fortalecimento do vínculo afetivo, formação correta da dentição, facilidade de adaptação do bebê, prevenção de tumores na mãe, auxílio no planejamento familiar, construção de hábitos alimentares saudáveis e a economia financeira por dispensar fórmulas infantis.

MARCADOAleitamento MaternoAmamentaçãoInfartosaúde cardiovascularSaúde da Mulher
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