Após governar Goiás de 2018 até março de 2026, quando renunciou para concorrer ao Planalto, Ronaldo Caiado (PSD) tenta viabilizar sua candidatura com base em um documento de cem páginas. Médico e produtor rural, com uma bagagem que inclui cinco mandatos de deputado federal e um de senador, o pessedista propõe um receituário que mescla rigor fiscal a uma guinada radical na segurança pública.
A segurança, para ele, é o ponto de partida para qualquer outra discussão sobre direitos. Diante do avanço de facções e milícias, o candidato defende o enquadramento dessas organizações como terroristas domésticos — o que abriria espaço para o emprego direto das Forças Armadas sem a necessidade de decretos de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).
A lista de propostas legislativas é ampla: redução da maioridade penal para 16 anos em crimes graves, equiparação de furto de celular a roubo e punições duras para o enriquecimento ilícito. Sob a mesma lógica, o plano prevê o Regime Especial Disciplinar Antiterrorismo Doméstico (Redad) e o combate às apostas on-line (bets), tratadas como ameaças financeiras e de saúde.
Novas estruturas e foco na prevenção
O redesenho administrativo passaria pela criação do Ministério da Segurança Pública e do Conselho Estratégico Nacional de Segurança, que contaria com a participação dos 27 governadores. Na ponta investigativa, Caiado sugere um protocolo nacional para apurar homicídios, feminicídios e latrocínios, além de uma secretaria dedicada à proteção de mulheres, crianças e minorias. Em casos de feminicídio, a progressão de regime só ocorreria após o cumprimento de 90% da pena, acompanhada pelo confisco dos bens do réu.
No campo econômico, o foco é elevar a taxa de investimento do país dos atuais 17% para cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB). Para que o investimento público ajude a puxar esse índice, o plano prevê uma trajetória fiscal sustentável, redução de juros e modernização da infraestrutura, associadas a reformas na educação básica.
Nesse setor, o plano propõe um pacto nacional pela alfabetização e pelo aprendizado de matemática até o fim do segundo ano do ensino fundamental, inspirado no modelo que implementou em Goiás, que inclui incentivo aos professores e fomento ao ensino técnico integrado ao mercado.
Já as diretrizes para a saúde propõem manter a estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS), mas com foco preventivo. O modelo de agendamento de exames e consultas seria reformulado para priorizar a gravidade clínica e o tempo de espera do paciente, em vez da simples ordem de chegada. Todo esse conjunto de reformas, contudo, depende de uma ampla articulação no Congresso — uma capacidade de cooperação política que Caiado promete recuperar a partir do Palácio do Planalto.
