Brasília (DF) – A estratégia nacional contra as facções e as redes criminosas ganhou um reforço financeiro expressivo. Um acordo assinado entre o governo federal e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) vai disponibilizar R$ 5 bilhões em linhas de crédito para estruturar ações de segurança pública no país. O anúncio oficial ocorreu durante a Cúpula Regional de Segurança e Justiça, que reúne autoridades do setor nesta quarta (5) e quinta-feira (6), em Brasília.
Os recursos não ficarão restritos à esfera federal. O presidente do BID, o brasileiro Ilan Goldfajn, explicou que a linha de financiamento foi desenhada para apoiar projetos diretamente em parceria com as gestões estaduais, que enfrentam o policiamento ostensivo e as investigações locais no dia a dia. Além do crédito bilionário, o memorando prevê o repasse de R$ 2 milhões voltados à recuperação técnica de áreas estratégicas demandadas pelo Ministério da Justiça, sob o guarda-chuva do Programa Brasil Contra o Crime Organizado.
Paralelamente à assinatura do acordo, o Brasil assumiu a presidência rotativa da Aliança para a Segurança, a Justiça e o Desenvolvimento. O bloco multilateral, que acaba de receber a Bolívia como seu 23º país membro, passa por uma expansão de metas. Diante do aumento da violência transnacional, o BID decidiu ampliar a carteira de financiamento para segurança pública na América Latina e no Caribe de US$ 2,5 bilhões para US$ 4 bilhões. O montante anterior, estipulado na cúpula de Buenos Aires no ano passado para durar três anos, já teve 60% de suas cotas consumidas pelos países parceiros.
Integração com a Interpol e tecnologia nas fronteiras
A nova fase de cooperação regional traz como novidade a incorporação da Interpol à Aliança. O Brasil será a primeira nação a se beneficiar da parceria com a polícia internacional, que contará com um investimento inicial de 100 mil dólares em cooperação técnica. Esse recurso será direcionado para o treinamento intensivo de agentes, combate ao tráfico de drogas e modernização de inteligência.
Outras ferramentas começam a rodar em caráter experimental para asfixiar as finanças das quadrilhas na região. Segundo Goldfajn, estão em fase de testes piloto um mecanismo integrado para a recuperação de ativos desviados e um sistema ágil de compartilhamento de antecedentes criminais entre os países membros, reduzindo a burocracia que costuma proteger criminosos que operam cruzando fronteiras.
