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Coronel Lauro César Botto Maia vira réu por ameaçar testemunhas de assédio
Justiça

Coronel Lauro César Botto Maia vira réu por ameaçar testemunhas de assédio

Última atualização: 6 de Agosto, 2026 10:52
Por
Erre Soares
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3 Min Leia
📷 Divulgação/MP-RJ
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Rio de Janeiro (RJ) – Quatro sargentos recém-ingressadas no Corpo de Bombeiros tornaram-se alvo de mensagens de teor intimidador enviadas por um superior que tentava interferir em uma investigação interna. A revelação do caso transformou o coronel Lauro César Botto Maia em réu perante a Justiça Militar, acusado de tentar coagir as testemunhas de um processo de assédio sexual no qual ele próprio figura como o principal investigado.

A denúncia, apresentada pela 1ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria da Justiça Militar na terça-feira (4), foi formalmente aceita no dia seguinte pelo juiz Carlos Eduardo Carvalho de Figueiredo. O magistrado considerou que existem indícios suficientes de autoria e materialidade para dar início à ação penal, embora tenha rejeitado o pedido de prisão preventiva formulado pelo Ministério Público.

O pano de fundo da acusação remonta a julho deste ano, quando o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) ofereceu uma primeira denúncia contra o oficial. Ele é acusado de assediar uma subordinada entre o fim de 2024 e julho de 2025, período no qual teria enviado mensagens com teor inadequado em busca de vantagens sexuais. O desdobramento mais recente, contudo, envolve a tentativa de blindar-se das investigações que se seguiram.

A estratégia de intimidação pelo celular

De acordo com os registros do caso, o coronel utilizou uma linha telefônica de terceiros para contatar as sargentos no dia 29 de junho de 2026. Identificando-se pelo pseudônimo de “Marcos João” no aplicativo WhatsApp, ele demonstrou conhecimento detalhado dos depoimentos prestados pelas militares.

Nas mensagens, o oficial sugeria que as jovens sargentos estavam sendo manipuladas e que ainda haveria tempo hábil para que elas pudessem “reparar o dano” causado por suas declarações. A situação ganhou contornos mais graves quando o interlocutor passou a fazer menções diretas a familiares das militares. A acusação enfatiza que a disparidade hierárquica entre um coronel e praças recém-chegadas à carreira militar potencializou o caráter intimidador das mensagens.

Decisão judicial e restrições impostas

Ao analisar o caso, o juiz Carlos Eduardo Carvalho de Figueiredo apontou que a denúncia descreve de forma precisa a conduta do acusado, incluindo o tempo e o local dos fatos. Apesar de afastar a necessidade de prisão preventiva neste momento, o magistrado impôs uma série de medidas cautelares para garantir a integridade física e psicológica das vítimas e testemunhas.

Por determinação judicial, o coronel Lauro César Botto Maia teve seu porte de arma de fogo suspenso. Ele também está expressamente proibido de se aproximar ou manter qualquer tipo de contato com a vítima e com as testemunhas do processo. Além disso, o oficial não poderá frequentar o quartel do Comando-Geral do Corpo de Bombeiros e está impedido de fazer menções públicas a qualquer um dos envolvidos no caso.

MARCADOAssédio SexualCorpo de BombeirosJustiça MilitarLauro César Maianotícias RJ
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