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Eleitorado brasileiro atinge marca de 158,7 milhões de cidadãos para o pleito de outubro
Justiça

Eleições de 2026 ganham sistema contra deepfakes após parceria entre TSE e Google

Última atualização: 26 de Agosto, 2026 21:57
Por
Erre Soares
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4 Min Leia
📷 Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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Brasília (DF) – A corrida eleitoral de 2026 terá um filtro tecnológico extra na tentativa de conter a disseminação de manipulações digitais. Em uma iniciativa lançada nesta quarta-feira (26), em Brasília, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Google fecharam um acordo para incentivar o uso de uma ferramenta capaz de detectar o uso não autorizado de rostos e vozes criados por inteligência artificial.

Batizada de Detecção por Semelhanças (ou Likeness ID), a tecnologia desenvolvida pelo YouTube estará disponível para candidatos maiores de 18 anos. O objetivo principal é rastrear a circulação de deepfakes e outros conteúdos sintéticos que possam arranhar a imagem dos concorrentes durante a campanha.

Para o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, a medida busca proteger o processo democrático do impacto destrutivo da inteligência artificial generativa. “Tenho a certeza de que a união dos setores público e privado, em prol dos valores democráticos, é uma das mais significativas expressões do texto constitucional”, ponderou o ministro. Segundo ele, o mecanismo dá autonomia aos candidatos para que acompanhem sua pegada digital e reajam rapidamente diante de mentiras visuais.

Como o monitoramento é feito

O acesso exige que o candidato tenha uma conta ativa no YouTube Studio — ou crie um perfil específico para esse fim. O processo de habilitação começa com uma verificação de segurança rigorosa, que exige o envio de um documento oficial com foto e a gravação de uma selfie em foto e vídeo.

A partir desses dados, a plataforma gera um padrão biométrico da aparência do usuário. O sistema leva até dois dias para validar o cadastro. Uma vez ativo, o mecanismo realiza varreduras constantes nos vídeos publicados na plataforma. Ao menor sinal de correspondência de imagem, o político recebe um alerta imediato.

Se o candidato constatar que sua imagem foi usada de forma indevida ou distorcida, ele pode solicitar a exclusão do material. O pedido passa pela curadoria do YouTube, que remove o vídeo caso identifique violações às suas políticas de privacidade.

Histórico de colaboração

A aproximação entre o tribunal e a empresa de tecnologia vem de longa data. Fábio Coelho, presidente do Google Brasil e vice-presidente da Google Inc., relembrou que a empresa mantém convênios com a Justiça Eleitoral desde 2014. Para o executivo, o monitoramento ativo é fundamental para garantir a lisura do pleito e, principalmente, para proteger grupos vulneráveis.

“Nós avaliamos cada denúncia com base nas políticas de privacidade do YouTube e, em caso de qualquer violação, o conteúdo é removido. Essa proteção vale para todo mundo, mas é ainda mais essencial para as mulheres, que costumam ser as maiores vítimas de ataques à imagem durante as eleições”, apontou Coelho.

Embora promissora, a tecnologia tem seus limites. O ministro Kassio Nunes Marques ponderou que o recurso do YouTube não elimina a necessidade de fiscalização humana e jurídica tradicional. Funciona como um escudo adicional, desenhado para antecipar riscos em um ecossistema de informação cada vez mais complexo, preservando a liberdade de escolha de quem vai às urnas.

MARCADODeepfakeseleições 2026Googleinteligência artificialTSE
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