São Paulo (SP) – O Poder Judiciário paulista oficializou nesta terça-feira (20) que a policial militar Yasmin Ferreira passará a figurar como ré pelo homicídio de Thawanna da Silva Salmázio. O episódio, que culminou na morte da vítima, ocorreu na tarde de 3 de abril, no bairro Cidade Tiradentes, região leste da capital.
A denúncia, formalizada pelos promotores de Justiça Rodolfo Justino de Morais e Lucas de Mello Schaefer, imputa à agente a prática de homicídio triplamente qualificado. Os agravantes incluem motivo fútil, emprego de meio cruel e a utilização de recurso que impediu qualquer chance de defesa para a vítima. A peça acusatória ainda solicita a fixação de, no mínimo, R$ 1 milhão para a reparação de danos morais aos familiares de Thawanna.
O conflito teve origem em uma dinâmica de trânsito. Thawanna caminhava pela via pública na companhia de seu parceiro quando uma viatura da Polícia Militar transitou próximo a eles. Houve um esbarrão: o braço do homem atingiu o retrovisor do veículo oficial enquanto ele perdia o equilíbrio. O que deveria ser uma verificação de rotina pelos agentes rapidamente escalou para uma abordagem hostil e uma troca de ofensas.
Conforme o relato dos policiais presentes, foi necessário o uso de força física para controlar o casal. Já a versão do Ministério Público sustenta uma narrativa distinta. A acusação aponta que o disparo, efetuado com uma arma de calibre .40, foi uma medida de força letal totalmente injustificada, atingindo a região abdominal de Thawanna.
O agravante de crueldade fundamenta-se no tempo em que a vítima permaneceu sem atendimento adequado. Após ser baleada, Thawanna ficou cerca de trinta minutos no local, ferida e consciente, enquanto aguardava por socorro que não foi prestado de imediato. Quando o Samu finalmente chegou, a vítima foi encaminhada ao Hospital Tiradentes, mas o óbito foi confirmado pouco tempo depois, em decorrência da gravidade da lesão.
A decisão da Justiça encerra a fase de instrução inicial e abre caminho para o julgamento, onde o Ministério Público pretende provar que a conduta da policial extrapolou os limites legais do exercício da função, configurando um crime de extrema gravidade contra uma pessoa que não oferecia resistência armada.
