Tocantins (TO) – O amanhecer desta quarta-feira, 16 de outubro, trouxe uma movimentação atípica em 19 unidades federativas. A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) mobilizou 20 bases em uma ofensiva simultânea, focada em asfixiar o poder econômico de facções criminosas. O saldo imediato da operação, que integra a quarta fase da Força Integrada, é o bloqueio e sequestro de R$ 508 milhões em bens, além do cumprimento de 106 mandados de prisão e 173 ordens de busca e apreensão.
O foco das autoridades é o rastro deixado por esquemas de lavagem de dinheiro, tráfico de armas e movimentações ilícitas de entorpecentes. Em Tocantins, a Justiça Federal concentrou a maior parte da estratégia financeira: a Operação Rota Araguaia 2 determinou o bloqueio de até R$ 412,5 milhões. O alvo é um núcleo logístico suspeito de dar suporte ao tráfico internacional de drogas, uma tentativa direta de desmantelar a estrutura que sustenta as organizações criminosas no país.
No Mato Grosso do Sul, o montante sequestrado atingiu R$ 75 milhões. Além das restrições patrimoniais, a operação no estado cumpriu 14 buscas e dois mandados de prisão, estendendo o alcance da investigação para Mato Grosso e Pernambuco. Durante o período de apuração que antecedeu as ordens judiciais, os agentes interceptaram mais de 250 quilos de cocaína e 60 quilos de haxixe.
A Bahia também registrou movimentação expressiva com a Operação Eirene 2, que resultou no bloqueio de R$ 12 milhões. As autoridades buscam desarticular grupos envolvidos não apenas na lavagem de capitais, mas em uma rede de crimes que inclui homicídios, extorsão e posse ilegal de armamento. O cenário baiano reflete o rigor da operação, com 45 prisões decretadas e 57 mandados de busca e apreensão em execução.
A rede de inteligência que viabilizou a investida estende-se ainda pelo Acre, Alagoas, Amapá, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima e Sergipe. A operação, coordenada pela Polícia Federal, não segue uma estrutura hierárquica rígida. Ela se baseia na integração operacional entre agentes de polícias civis, militares e penais, além da colaboração de guardas municipais, policiais rodoviários federais e secretarias estaduais de segurança pública.
O modelo adotado pela Ficco aposta na troca constante de dados de inteligência para enfrentar facções que operam além das fronteiras estaduais. Ao mirar o patrimônio acumulado pelo crime, o Estado tenta não apenas punir os envolvidos, mas assegurar que o montante possa ser revertido para a reparação dos danos causados pela criminalidade organizada à sociedade.
