São Luís (MA) – A corrida pelo Palácio do Planalto ganhou novos contornos nesta terça-feira, 20 de outubro de 2026. Luiz Inácio Lula da Silva, durante passagem por São Luís, no Maranhão, colocou na mesa uma proposta ambiciosa: a criação da tarifa zero no transporte público brasileiro via Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Segundo o petista, a iniciativa visa garantir mobilidade gratuita aos fins de semana, atrelando a medida à recente aprovação do fim da escala 6×1. A assinatura do texto, que busca oferecer mais tempo de lazer ao trabalhador, está prevista para esta quarta-feira, 21.
Em clima de encerramento de ciclo, Lula subiu o tom ao garantir que esta será sua última disputa pela presidência. O plano, caso obtenha um quarto mandato, foca na expansão de programas sociais. O projeto Pé-de-Meia, hoje limitado ao ensino médio, ganharia uma versão voltada a estudantes universitários. O candidato também reforçou o desafio feito a Flávio Bolsonaro durante o debate na TV Bandeirantes: a abertura mútua de sigilos bancários e telefônicos. Lula questionou se o adversário terá condições de comparecer ao próximo debate, marcado para sexta-feira (23) na TV Globo, caso não aceite o compromisso.
A estratégia da campanha petista olha para o mapa do abstenção. Com o recorde de 33,4 milhões de eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno — aproximadamente 21,08% do eleitorado — a ordem é mobilização total. Entre Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco, Lula convocou apoiadores a buscarem voto a voto, inclusive daqueles que se consideram desobrigados ou desencantados com o processo eleitoral.
Enquanto isso, no Centro-Oeste, Flávio Bolsonaro investiu em uma agenda de peso com o setor sertanejo. Em Goiás, o candidato do PL posou ao lado de nomes como Gusttavo Lima e Zezé de Camargo. Em vídeo gravado na residência de Lima, o presidenciável buscou um tom de proximidade, posicionando-se como um cidadão que também padece com a insegurança e a crise econômica.
O discurso de Flávio tentou contornar a polarização ideológica clássica. Ao abordar temas como o custo de vida, a carga tributária e o acesso da população ao entretenimento, ele pregou um governo centrado na mudança. O candidato afirmou estar com o coração aberto para reestruturar o país e mitigar os efeitos da dívida das famílias brasileiras, buscando atrair votos que transbordam a barreira entre direita e esquerda.
