Brasília (DF) – O funcionamento do canal Exército do Lula no WhatsApp, espaço voltado ao apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, permanece inalterado sob a ótica da Meta. Em documento enviado à Justiça Eleitoral nesta sexta-feira (23), a empresa assegurou que, após minuciosa verificação, não foram detectadas irregularidades que pudessem configurar descumprimento de suas normas de uso.
Essa análise foi disparada a partir de uma determinação do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE. O magistrado ordenou a revisão completa do canal em resposta a uma provocação da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que levantou dúvidas sobre a integridade das operações da companhia em relação ao pleito. A peça enviada pela Meta detalha tanto a metodologia de varredura quanto as diretrizes específicas aplicadas na detecção de conteúdos potencialmente infratores, concluindo pela inexistência de violações.
Do outro lado do embate jurídico, os representantes do candidato do PL sustentam a tese de que os mecanismos de conformidade prometidos pela plataforma ao tribunal não estariam sendo seguidos na prática. O argumento central dos reclamantes é o de que a manutenção desse espaço virtual colocaria em risco a lisura do processo eleitoral, tema que tem gerado idas e vindas na Corte.
O cenário sobre o destino do canal, contudo, ganhou um contorno definitivo pouco antes. O ministro Floriano de Azevedo Marques estabeleceu que a ferramenta não pode mais sofrer restrições ou suspensões determinadas isoladamente por membros do tribunal, blindando o canal contra novas interferências individuais.
A controvérsia acumulou episódios contraditórios nas últimas semanas. No dia 11 deste mês, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, chegou a suspender a conta, validando a tese de que o canal replicava mensagens classificadas anteriormente como falsas pela Justiça Eleitoral. A decisão, contudo, foi rapidamente revogada pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Vilas Bôas Cuêva, que apontou uma sobreposição de entendimentos — a liminar foi protocolada apenas 41 minutos depois de um despacho seu que já havia indeferido a suspensão.
Após o embate interno e a formalização do registro junto ao TSE, o próprio Kassio Nunes Marques optou por liberar o acesso à página. Agora, com o respaldo técnico enviado pela Meta ao tribunal, a empresa reafirma que, dentro de seus critérios, o canal segue operando dentro da normalidade esperada para o período de campanha.
