O professor colombiano Ubeimar Ríos Gómez vive uma reviravolta profissional ao trocar as salas de aula pelos sets de filmagem e disputar o Prêmio Platino Xcaret, em Cancún, no México. Neste sábado, 9 de maio de 2026, ele concorre ao troféu de Melhor Ator, categoria que conta com a presença do brasileiro Wagner Moura, vencedor pelo voto popular, e do argentino Guillermo Francella, homenageado com o Platino de Honra na 13ª edição da premiação.
De educador a estrela das telas
Aos 55 anos, Ríos nunca havia atuado profissionalmente até ser convidado para o filme Um Poeta, dirigido por Simón Mesa. O longa, que conquistou o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes em 2025, impulsionou a nova trajetória do colombiano. Após três décadas dedicadas ao ensino, ele pediu demissão em maio para se dedicar integralmente à carreira artística, que inclui a coapresentação do programa Colômbia verso a verso, na TV pública local.
No filme, o agora ator interpreta um escritor que tenta ajudar uma aluna talentosa em meio a condições de extrema vulnerabilidade social. Essa experiência de ficção reflete a realidade vivida por Ríos em sua escola, que atende majoritariamente estudantes pobres. O ex-professor ressalta que a fome muitas vezes se torna uma barreira para o aprendizado, forçando as crianças a priorizarem a sobrevivência em vez dos estudos.
Legado e novos horizontes
Mesmo fora das salas de aula, ele mantém a crença na educação como ferramenta de transformação e defende que o afeto deve guiar o trabalho pedagógico. O artista planeja conciliar o cinema com projetos de gestão cultural e sua banda de rock na região do oriente antioquenho, onde reside. Para ele, a mudança de ritmo na vida não alterou sua essência, mas abriu portas para novos desafios no cenário internacional.
Brasil em destaque no Platino
A participação brasileira no evento de gala é expressiva. O país concorre com o longa O Agente Secreto, que disputa categorias de ficção, direção e roteiro, além de Manas, indicado como melhor filme de estreia, e Apocalipse nos Trópicos, na categoria de documentário. A cerimônia, que celebra o cinema ibero-americano, conta também com a presença de nomes como o cineasta Kleber Mendonça Filho e a produtora Emilie Lesclaux, reafirmando a força das produções nacionais no mercado externo.
