O Museu da Imagem e do Som (MIS) do Rio de Janeiro abriu suas portas ao público na Avenida Atlântica, em Copacabana, marcando o início de uma nova fase após quase vinte anos de obras e expectativas. A reabertura ocorre de forma parcial, com a exposição Arquitetura em Cena – o MIS Copa antes da Imagem e do Som, que detalha os bastidores da construção e oferece uma prévia do que o complexo cultural entregará quando estiver totalmente concluído, com previsão para o primeiro trimestre de 2027.
Um projeto integrado à paisagem
Idealizado a partir de um concurso internacional de arquitetura realizado em 2008 pela Fundação Roberto Marinho em parceria com a Secretaria de Cultura do estado, o edifício traz a assinatura do escritório americano Diller Scofidio + Renfro. A proposta arquitetônica estabelece um diálogo direto com o icônico calçadão de Burle Marx, funcionando como um boulevard vertical que transforma a fachada em um grande mirante para o mar.
Larissa Graça, gerente de patrimônio e cultura da Fundação Roberto Marinho e curadora da mostra ao lado de Ana Paula Pontes, explica que o prédio foi desenhado para ser democrático e causar impacto imediato em quem transita pela orla. A exposição atual ocupa o térreo e o mezanino, exibindo maquetes, vídeos e registros que narram a complexa trajetória da obra, incluindo a construção de um auditório subterrâneo a dez metros de profundidade.
Histórico e resiliência
A construção do museu foi dividida em três etapas, enfrentando desafios que espelham as transformações sociais e econômicas do Rio de Janeiro nas últimas duas décadas. Após a demolição do antigo prédio da Boate Help em 2010 e a conclusão das fundações em 2014, o projeto sofreu interrupções em 2016 devido à crise fiscal fluminense. A retomada foi possível graças a um modelo de financiamento misto, que combina recursos públicos com aportes privados via Lei Rouanet.
A secretária estadual de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros, celebrou o momento como um marco simbólico para o setor. O acervo, que será gradualmente exposto, conta com mais de um milhão de itens, incluindo registros de figuras fundamentais da cultura brasileira como Carmen Miranda, Pixinguinha e o fotógrafo Augusto Malta.
Futuro e vivência
Além das galerias, o projeto final contará com restaurante panorâmico, cinema ao ar livre no terraço, áreas educativas e espaços dedicados a temas como a história do funk e as famosas Noites Cariocas. A professora de artes Marta Azambuja, de 93 anos, foi uma das primeiras visitantes a conferir o espaço e destacou a integração inédita do museu com a natureza local.
A exposição atual funciona como um convite para que o público conheça o espaço enquanto as etapas finais de acabamento avançam. Para visitar o local, os interessados devem realizar o agendamento prévio por meio do site oficial da instituição.
