Brasília (DF) – O cenário das relações externas brasileiras aponta para uma mudança estrutural no mapa de parceiros econômicos. Durante encontro com o secretário-geral da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), Kao Kim Hourn, em Brasília, o ministro Mauro Vieira sinalizou que o intercâmbio com o Sudeste Asiático tende a superar, em breve, o volume de negócios mantido com os EUA e a União Europeia.
A matemática do Itamaraty sustenta esse otimismo. Entre 2003 e 2025, o fluxo comercial com os 11 países da Asean saltou de US$ 3 bilhões para US$ 38 bilhões. O ministro pontuou que o Brasil hoje já envia mais produtos a Singapura do que à Alemanha, além de registrar exportações superiores para Indonésia, Vietnã, Malásia e Tailândia quando comparadas aos embarques destinados à França.
A ofensiva diplomática ganha contornos pragmáticos diante do recente cenário de sobretaxas impostas pelos EUA. Diversificar os destinos da pauta exportadora tornou-se uma estratégia central para blindar a economia doméstica de volatilidades externas. Nesse contexto, o governo brasileiro busca formalizar o status de “parceiro de diálogo” do bloco, uma posição ocupada atualmente por potências como China, Japão, Rússia e Canadá.
Kao Kim Hourn, em visita ao Brasil até a próxima sexta-feira (21), ressaltou a dinâmica do relacionamento. O secretário-geral destacou a convergência de interesses em temas como segurança alimentar, transição energética e inovação. A Asean, que reúne um mercado de 700 milhões de pessoas, viu seus membros quase dobrarem o PIB conjunto na última década, saltando de US$ 2,5 trilhões para US$ 4,5 trilhões.
Para o Itamaraty, o alinhamento com a Asean não é apenas uma busca por novos compradores, mas uma estratégia de fortalecimento do chamado Sul Global. O compromisso com um multilateralismo baseado em regras, segundo o representante cambojano, é o pilar que deve sustentar a cooperação mútua entre economias emergentes.
A agenda de Hourn em território nacional inclui uma série de reuniões com o primeiro escalão ministerial, representantes do setor empresarial e núcleos acadêmicos. O objetivo é pavimentar o caminho para investimentos que, segundo os planos do governo, devem reconfigurar a dependência comercial do país nos próximos anos.
