Teerã, Irã – O cenário geopolítico no Oriente Médio sofreu uma mudança drástica nesta quarta-feira (2), quando uma das trocas de fogo mais intensas desde julho colocou as forças norte-americanas e o exército iraniano em rota de colisão aberta. A ofensiva começou um dia antes, na terça-feira (1º), quando o Comando Central dos EUA lançou uma série de ataques contra posições estratégicas da Guarda Revolucionária Islâmica. O alvo foram sistemas de radar, defesas aéreas, minas navais e redes de comunicação espalhadas pela costa sul do Irã e nas proximidades do Estreito de Ormuz.
A reação de Teerã não tardou. Em um movimento coordenado, o comando militar iraniano lançou ataques com mísseis e drones contra bases dos EUA distribuídas pelo Iraque, Jordânia, Kuwait e Barein. O objetivo declarado é claro e ambicioso: forçar a retirada definitiva da rede de bases militares mantidas por Washington na região nas últimas décadas. O tom de Teerã subiu rapidamente, com ameaças de que qualquer nação que ofereça suporte logístico ou territorial ao exército dos EUA sofrerá consequências severas.
Na Jordânia, militares locais relataram a interceptação de 10 mísseis, enquanto outros três caíram em solo desabitado. Apesar de a Guarda Revolucionária ter reivindicado a morte de diversos soldados estadunidenses no país e em Erbil, no norte do Iraque, autoridades americanas negaram qualquer baixa até o momento. Situação semelhante ocorreu no Kuwait, onde um drone atingiu um complexo residencial ligado à Base Aérea Ali Al Salem. Equipes de bombeiros controlaram o incêndio resultante na madrugada, sem registrar vítimas.
A tensão humana atingiu um ponto crítico em Sirik, cidade costeira próxima ao Estreito de Ormuz. O governo iraniano denunciou que um bombardeio americano teria atingido uma celebração de casamento, resultando em 12 mortes — entre elas, uma criança de quatro anos. Imagens divulgadas por agências locais mostram vestígios da festa misturados a escombros, com relatos de pelo menos 68 feridos. Enquanto Teerã compara o episódio a ataques fatais ocorridos no início da guerra, Washington mantém silêncio sobre a veracidade do incidente.
O impacto econômico foi imediato. O temor quanto ao bloqueio do tráfego pelo Estreito de Ormuz — rota vital para o petróleo mundial — disparou os preços da energia, empurrando o barril para patamares não registrados desde julho. O choque atingiu as bolsas de valores na Ásia e na Europa, agravando o cenário de inflação global. Governos regionais, como o do Catar, já manifestaram repúdio aos ataques, atribuindo ao Irã a responsabilidade legal pelos desdobramentos desta escalada.
Este nível de hostilidade não era visto desde que, em julho, o governo dos EUA interrompeu subitamente uma série de bombardeios por restrições operacionais e escassez de alvos. Agora, o ambiente de incerteza paira sobre a região, enquanto o mundo observa se esta onda de violência será contida ou se o conflito atingirá proporções ainda mais devastadoras.
