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Alexandre de Moraes questiona critérios de André Mendonça na abertura do caso Master
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Banco Master: entenda os crimes investigados, quem aparece no caso e onde entram nomes da esquerda

As investigações da Polícia Federal e de outros órgãos alcançam executivos do banco, empresários, ex-dirigentes públicos, parlamentares, integrantes de partidos de esquerda, direita e centro, além de pessoas que aparecem apenas por relações comerciais ou profissionais.

Última atualização: 11 de Outubro, 2026 23:33
Por
Redação O Tabloide
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6 Min Leia
📷 Rovena Rosa/Agência Brasil
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O caso Banco Master não envolve um único crime nem um único grupo político. As investigações da Polícia Federal e de outros órgãos alcançam executivos do banco, empresários, ex-dirigentes públicos, parlamentares, integrantes de partidos de esquerda, direita e centro, além de pessoas que aparecem apenas por relações comerciais ou profissionais. A principal cautela é esta: ser citado, ter recebido pagamento ou ter mantido relação com Daniel Vorcaro não significa, por si só, ter cometido crime.

O núcleo central da Operação Compliance Zero apura possíveis crimes contra o sistema financeiro, fraude em operações de crédito, lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa e, em fases posteriores, tentativa de interferência em investigações, obtenção indevida de informações sigilosas e intimidação de jornalistas. A PF também investiga operações envolvendo o BRB, carteiras de crédito consideradas suspeitas e aplicações de fundos e regimes de previdência em produtos ligados ao Master.

Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, está no centro da investigação. Também aparecem entre os principais nomes do núcleo financeiro Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e sócio do banco, Luiz Antônio Bull, Alberto Felix de Oliveira Neto, Ângelo Antônio Ribeiro da Silva e outros executivos ou operadores. As suspeitas atribuídas a esse núcleo incluem, conforme a participação individual ainda apurada, crimes financeiros, fraude, lavagem de dinheiro e eventual organização criminosa.

No campo político, porém, a situação varia muito. Alguns são formalmente investigados. Outros aparecem porque receberam pagamentos por serviços, tiveram relações políticas ou empresariais com Vorcaro ou foram citados em documentos. Não é correto colocar todos na mesma condição jurídica.

Entre os nomes ligados à esquerda, o caso mais direto é o do senador Jaques Wagner, do PT, líder do governo Lula no Senado. Ele foi alvo da 9ª fase da Compliance Zero. A PF informou que essa etapa apurava, em tese, corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. A investigação analisa pagamentos atribuídos ao seu núcleo familiar e outras operações relacionadas a pessoas próximas. Wagner nega irregularidades.

Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda dos governos petistas, aparece porque uma empresa sua recebeu cerca de R$ 14 milhões do Master entre 2024 e 2025. Mantega afirma que foi contratado para prestar consultoria econômico-financeira e que desconhecia irregularidades no banco. O fato de ter recebido pagamento não equivale, por si só, a acusação criminal.

Rui Costa, ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia pelo PT, aparece na discussão porque o Credcesta, produto de crédito consignado posteriormente relacionado às investigações sobre o Master, ganhou expansão durante a sua gestão na Bahia. Até onde as fontes consultadas mostram, isso não significa que Rui Costa esteja formalmente acusado de fraude no núcleo principal da investigação.

Também surgem relações com figuras de outros campos políticos. Ciro Nogueira, do PP e ex-ministro de Jair Bolsonaro, foi alvo de busca e apreensão e é investigado por possíveis relações com Vorcaro e tentativas de favorecimento ao banco. Flávio Bolsonaro também aparece em investigações relacionadas a pedidos de recursos a Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, embora isso seja uma frente distinta das fraudes bancárias centrais.

Cláudio Castro, do PL, ex-governador do Rio, aparece em documentos cujo sigilo foi levantado, enquanto Ibaneis Rocha, do MDB, foi politicamente associado à tentativa do BRB de adquirir o Master. A operação entre BRB e Master tornou-se uma das peças centrais do escândalo após o Banco Central barrar o negócio.

Há ainda políticos e ex-ministros que receberam pagamentos declarados pelo banco, mas isso não os transforma automaticamente em suspeitos de crime. Entre eles aparecem Michel Temer, Antônio Rueda, ACM Neto, Marconi Perillo, Henrique Meirelles, Ricardo Lewandowski e Fabio Wajngarten. Os pagamentos foram atribuídos a serviços jurídicos, consultoria, mediação ou comunicação, segundo os próprios envolvidos.

O escritório Barci de Moraes, do qual fazem parte Viviane Barci de Moraes e dois filhos do ministro Alexandre de Moraes, também teve contratos com empresas de Vorcaro para serviços jurídicos e consultoria. A existência dos contratos é documentada, mas isso não significa que Alexandre de Moraes ou os integrantes do escritório tenham cometido crimes relacionados às fraudes investigadas no Master.

A maneira mais simples de compreender o caso é separar três grupos: quem está no núcleo financeiro investigado por possíveis fraudes; quem é formalmente alvo de diligências por suspeitas específicas; e quem apenas aparece por contratos, pagamentos ou relações políticas e empresariais.

Quanto à esquerda, existe participação documentada no entorno do caso, principalmente através de Jaques Wagner, que foi formalmente alvo da PF, além de relações financeiras ou institucionais envolvendo nomes como Guido Mantega e pessoas ligadas ao governo Lula. Mas o caso também alcança figuras da direita e do centrão. As evidências disponíveis não sustentam tratar o Banco Master como um escândalo exclusivo de um campo político.

A investigação continua em andamento. Portanto, “envolvido”, “citado”, “alvo de busca” e “acusado de crime” não significam a mesma coisa. Essa distinção é essencial para informar o público sem transformar suspeita em condenação.

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