O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, admitiu na última sexta-feira que a Corte está imersa em uma crise institucional. Em uma palestra para alunos da Fundação Getulio Vargas, em São Paulo, Fachin destacou a necessidade de reconhecer e enfrentar essa crise.
A crise institucional está relacionada à atuação da Corte, segundo o ministro. Ele ressaltou que é fundamental reconhecer a existência dessa crise e enfrentá-la com olhos de ver e ouvidos de ouvir, para não repetir soluções velhas para problemas novos.
O ministro também mencionou o cenário de desconfiança institucional e polarização intensa no país. Ele enfatizou que, quando o juiz parece atuar como agente político disfarçado de intérprete jurídico, perde-se a confiança pública.
A crise interna na Corte foi ampliada pela tentativa do senador Alessandro Vieira de indiciar os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli no relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado. Além disso, as investigações envolvendo o Banco Master também abalaram a Corte.
Em fevereiro, o ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do inquérito que trata das fraudes após reconhecer que é sócio do resort Tayayá, que foi comprado por um fundo de investimentos que pertenceu ao Master e é investigado pela Polícia Federal. Em março, Alexandre de Moraes negou ter mantido conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.
