Brasília (DF) – O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, colocou como prioridade para as próximas semanas o combate ao alto índice de eleitores que não compareceram às urnas. O magistrado manifestou desconforto com os números revelados pela totalização do primeiro turno e busca alternativas para reverter esse cenário na etapa decisiva do pleito.
Os dados computados pelo sistema oficial indicam que 21,08% do eleitorado se ausentou, um volume que soma 33,4 milhões de pessoas. Em um cenário onde 158,7 milhões de brasileiros estavam aptos a participar do processo democrático, o comparecimento efetivo ficou em 125 milhões de votantes.
Para Nunes Marques, a marca atual está longe do patamar desejável. O plano de ação passa pelo aprimoramento e intensificação dos mecanismos de mobilização já utilizados pela Corte. A meta é criar condições para que uma parcela significativa desses eleitores retorne aos locais de votação no segundo turno, diminuindo o vácuo deixado pelo absenteísmo.
Além dos faltosos, o cenário eleitoral foi composto por 2,2 milhões de votos em branco e outros 3,6 milhões de registros nulos. A combinação desses fatores reforça a preocupação do tribunal com a participação popular.
Um recorde negativo
O índice de abstenção registrado agora ocupa um lugar de destaque negativo na trajetória das eleições brasileiras. Trata-se do maior percentual de ausências desde 1998, quando o sistema contabilizou 21,5% de faltosos. A comparação histórica ganha relevância ao observar que, na disputa presidencial de 2022, o índice na primeira etapa ficou em 20,95%, mantendo a tendência de distanciamento que o TSE tenta agora frear.
A mobilização da estrutura logística e comunicacional para as próximas etapas será o fiel da balança para definir se o tribunal conseguirá, de fato, engajar o contingente que optou pelo silêncio ou pela omissão no último domingo.
