Rio de Janeiro (RJ) – Na quarta-feira, dia 5, as ladeiras da região central do Rio de Janeiro viraram o cenário de mais um capítulo no combate ao crime organizado. Policiais civis subiram o Morro Fallet-Fogueteiro em uma investida cirúrgica contra o Comando Vermelho. O foco da ação, coordenada pela Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis, é asfixiar a estrutura financeira da facção, que transformou o roubo de veículos em uma verdadeira máquina de captação de recursos para expandir seus domínios.
As investigações apontam que os lucros obtidos com os roubos deixaram de ser apenas ganhos isolados e passaram a capitalizar a quadrilha. Com mais dinheiro em caixa, o bando consegue ampliar seu poder econômico, comprar armas e avançar sobre áreas vizinhas. O plano de expansão territorial desenhado pela facção visa controlar mercados ilícitos locais, coagir moradores e ocupar corredores urbanos estratégicos que interligam diferentes pontos da capital fluminense.
Esse movimento expansionista ajuda a explicar um contraste recente nos índices de criminalidade do Rio. Embora o roubo de automóveis tenha registrado queda no balanço geral da cidade, bairros no entorno do Fallet-Fogueteiro caminharam na direção oposta. Regiões como Santa Teresa, Centro e Grande Tijuca sofreram um aumento expressivo nessas ocorrências, reflexo direto da estratégia da facção de intensificar os roubos para sustentar a tomada de novos territórios.
A ofensiva faz parte da Operação Contenção, um esforço contínuo das forças de segurança que já apresenta números expressivos. Até o momento, a iniciativa resultou na prisão de mais de 370 criminosos. O histórico de enfrentamento também registra 137 mortes de suspeitos em confrontos armados e a apreensão de aproximadamente 480 armas de fogo.
Ação paralela no Complexo da Maré
Em outra frente de combate ao mesmo grupo criminoso, a Polícia Militar realizou uma operação de grande porte nas comunidades Parque União e Nova Holanda, que integram o Complexo da Maré, na Zona Norte da cidade. A missão na região visa, da mesma forma, conter as tentativas de avanço geográfico promovidas pelos traficantes.
Para garantir o suporte tático e logístico aos agentes na Maré, foi mobilizado um forte aparato. A operação contou com dois Veículos Blindados de Transporte de Pessoal, duas aeronaves, dois drones, 18 viaturas leves, 12 motocicletas e dois caminhões. Uma retroescavadeira foi usada para desobstruir vias tomadas por barreiras físicas, enquanto o socorro médico foi garantido por duas ambulâncias — sendo uma delas totalmente blindada.
