São Paulo (SP) – Os endereços das residências do ministro do STF Alexandre de Moraes e dos ex-presidentes Michel Temer e Fernando Henrique Cardoso ficaram expostos em uma nova brecha de segurança do Smart Sampa. O sistema de monitoramento da prefeitura de São Paulo registrou a transmissão sem proteção adequada de cerca de 17 mil câmeras de vigilância, com acessos mantidos ao longo de cinco dias.
A instabilidade não é um fato isolado. Trata-se da segunda vulnerabilidade detectada na plataforma em menos de um mês. Em 20 de outubro, o mesmo sistema de vigilância municipal deixou mais de 50 mil equipamentos abertos na internet por aproximadamente 11 meses.
Posição oficial da administração paulistana
A Prefeitura de São Paulo nega que os dados tenham ficado abertos ao acesso público na internet. Em nota oficial, a administração municipal sustentou que o material em questão consiste em uma planilha interna resultante de análises de cibersegurança do próprio Smart Sampa. Segundo o município, o repasse desses arquivos a terceiros constitui um ato criminoso e ilegal de vazamento de informações sigilosas e confidenciais.
A gestão informou também que não encontrou indícios de ataques cibernéticos contra a plataforma. Uma investigação foi aberta para identificar e punir os responsáveis. Em relação ao vazamento anterior, apurado em outubro, a prefeitura ressaltou que já havia promovido o afastamento de um agente público envolvido no caso.
Entidades cobram fiscalização e suspensão de equipamentos
Com mais de 50 mil dispositivos instalados pela capital paulista desde 2024, o programa passa a enfrentar contestação formal de organizações civis. Diante das suspeitas de irregularidades no tratamento de dados pessoais dos cidadãos, entidades encaminharam um pedido de fiscalização à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
A gravidade do episódio foi enfatizada por Pablo Nunes, diretor do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania. O especialista defendeu que o poder público precisa notificar com transparência os cidadãos atingidos pela exposição de dados e cobrou a suspensão imediata das câmeras instaladas em locais altamente sensíveis, como creches, escolas e unidades básicas de saúde.
Para Nunes, existe um descompasso claro na gestão do projeto: a prefeitura promove o Smart Sampa como símbolo de proteção, mas fracassa em resguardar a própria infraestrutura interna, sem entregar ganhos práticos na segurança pública cotidiana da população.
