Rio de Janeiro (RJ) – O clima político na Gávea, zona sul carioca, atingiu um ponto crítico nesta terça-feira (13). A poucos metros da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), apoiadores do candidato Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram um episódio de violência política ao insultar a memória da vereadora Marielle Franco. O ato aconteceu menos de 24 horas após a instituição de ensino vetar manifestações político-partidárias em suas dependências durante o período eleitoral.
O episódio foi documentado em registros que ganharam as redes sociais. Do alto de um carro de som, um manifestante utilizou o microfone para zombar da morte da parlamentar. Entre ironias, o homem chegou a declarar que a vereadora estaria com “papai do céu” ou “no colo do capeta”. A provocação inflamou os ânimos de apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva que acompanhavam a movimentação do outro lado, resultando em uma troca de insultos e gritos de resistência que entoavam o nome de Marielle.
A reação da família foi imediata. Luyara Franco, filha da vereadora, utilizou suas plataformas digitais para rechaçar o comportamento do grupo. Para ela, transformar um assassinato em alvo de deboche ultrapassa o limite do debate democrático e configura violência política. Ela ressaltou a trajetória acadêmica da mãe, que se formou em Ciências Sociais justamente na PUC-Rio e dedicou a carreira à administração pública e à defesa dos direitos humanos.
Anielle Franco, deputada federal eleita pelo PT e irmã de Marielle, também se posicionou ao manifestar solidariedade aos estudantes que confrontaram os bolsonaristas no local. Como docente e ex-aluna da instituição, ela afirmou que o episódio apenas reforça a necessidade de resistência diante do revisionismo histórico sobre o crime.
O assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em março de 2018 no centro do Rio, segue como um trauma profundo na política nacional. A investigação do caso avançou significativamente nos últimos anos. Em 2024, a Justiça proferiu sentenças contra os executores confessos, os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz.
A lista de condenados pelo planejamento e execução do atentado também inclui nomes de alto escalão na estrutura de poder do estado à época: o ex-conselheiro do Tribunal de Contas Domingos Brazão, o ex-deputado federal Chiquinho Brazão e o ex-chefe da Polícia Civil Rivaldo Barbosa. A sentença também abrangeu o major da Polícia Militar Ronald de Paula e o ex-policial Robson Calixto, encerrando capítulos centrais de um crime que ainda repercute nos embates ideológicos das ruas brasileiras.
