Washington, Estados Unidos – O cenário político internacional viveu um momento de atrito nesta segunda-feira (26). Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, voltou sua atenção para o Brasil e questionou a integridade do processo eleitoral que garantiu a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Em declarações feitas a jornalistas, Trump manifestou estranheza com a prorrogação do horário de votação no último domingo (25), sugerindo que o pleito teria ocorrido de maneira irregular. O posicionamento alinha-se ao discurso adotado pelo candidato derrotado no segundo turno, Flávio Bolsonaro.
A extensão do prazo para o exercício do voto, que avançou até as 19h, foi uma decisão técnica adotada pelo ministro do STF Cristiano Zanin. A medida tornou-se necessária após denúncias de obstruções severas no transporte coletivo que dificultaram o acesso de eleitores às urnas em diversos municípios. Questionado se pretendia intervir na política interna brasileira, Trump adotou um tom ambíguo: negou qualquer intenção de governar o país, ao mesmo tempo que afirmou manter uma boa relação com Lula e garantiu não ter tomado partido na disputa.
A resposta do Palácio do Planalto não tardou. Geraldo Alckmin, vice-presidente reeleito, rechaçou as insinuações de Trump durante entrevista à TV Vanguarda, no interior de São Paulo. Para Alckmin, a postura do líder americano é puramente equivocada. O vice-presidente enfatizou que a soberania nacional é uma regra basilar das relações internacionais e reforçou a confiança na segurança e na tecnologia das urnas eletrônicas brasileiras como exemplo global.
A tensão diplomática é agravada pelo chamado tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que tem dificultado o acesso de produtos brasileiros ao mercado norte-americano. Apesar disso, Alckmin sinalizou que o governo mantém uma agenda de negociações aberta com Washington, enquanto expande parcerias estratégicas, citando acordos com Cingapura, União Europeia e as tratativas com o Canadá. O Brasil, segundo o vice, atingiu recordes de exportação mesmo sob o peso das restrições tarifárias atuais.
A postura de Trump, contudo, já enfrentava resistência interna. Antes mesmo das eleições, um grupo de 31 parlamentares democratas enviou uma carta à Casa Branca em 24 de setembro. No documento, o grupo alertava para o que chamaram de um esforço coordenado do governo Trump para desestabilizar a aliança estratégica entre as duas nações. A acusação central dos democratas aponta que o governo dos EUA teria articulado sanções econômicas e ameaças, como a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, como manobras de pressão para favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro.
