Brasília (DF) – Uma reestruturação profunda nas relações de trabalho e a ruptura com o atual modelo econômico são as bases da plataforma apresentada por Edmilson Costa, candidato à Presidência pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Registrado sob o título “Construir o Poder Popular, Rumo ao Socialismo”, o plano de governo do candidato já se encontra disponível para consulta na plataforma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O ponto central que mexe diretamente com o cotidiano do trabalhador é a proposta de instituição de uma jornada de trabalho de 30 horas semanais, sem que isso acarrete qualquer diminuição nos vencimentos mensais. O projeto do partido também defende a extinção definitiva da escala de trabalho de seis dias por um de descanso, a chamada escala 6×1. Essas medidas, segundo o plano, visam restituir o bem-estar social e combater a precarização laboral.
A apresentação dessas propostas integra uma série de reportagens que detalham as diretrizes dos concorrentes ao Planalto nas eleições deste ano, veiculadas em ordem alfabética entre esta quinta-feira (17) e o próximo domingo (20). No primeiro dia de divulgação, além da candidatura de Costa, são abordadas as plataformas de Augusto Cury e Clariana Barão.
A recomposição salarial e a questão agrária
Para além das alterações nas horas trabalhadas, o PCB estabelece como prioridade a recuperação do poder de compra da população. O norteador para o reajuste do salário mínimo, de acordo com o plano de governo, deve ser o cálculo do salário mínimo necessário elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que mede o real custo de vida de uma família brasileira. Paralelamente, o documento defende a implementação de uma reforma agrária popular como caminho para garantir a soberania alimentar.
No campo geopolítico, a candidatura prega um alinhamento claro de oposição às forças hegemônicas globais. O texto expressa o compromisso com o combate contínuo ao imperialismo, aliado a um posicionamento de solidariedade militante a nações como Cuba, Palestina, Irã e Venezuela, além de outros territórios que busquem a autodeterminação e a soberania frente às pressões externas.
Estatização e serviços 100% públicos
No cenário interno, Edmilson Costa propõe o fim do atual arcabouço fiscal, o qual enxerga como um limitador dos investimentos sociais. A alternativa apresentada é a criação de uma lei de responsabilidade social, mecanismo desenhado para blindar e assegurar o repasse de verbas públicas diretamente para as áreas de maior vulnerabilidade da população.
A plataforma defende ainda a estatização completa de setores considerados estratégicos e de serviços essenciais à sobrevivência, a exemplo de saneamento básico, energia e abastecimento de água. O documento cita a urgência de quebrar os monopólios nos meios de comunicação, além de assegurar que os sistemas de saúde, transporte coletivo e educação sejam integralmente públicos e gratuitos.
A candidatura comunista encerra seu plano afirmando que o conjunto de propostas busca inaugurar uma nova dinâmica histórica no país. A intenção manifestada é superar o modelo oligárquico e dependente do capital externo que historicamente rege a sociedade brasileira, pavimentando uma rota sustentada na soberania nacional e no poder popular.
