O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou nesta quinta-feira, 14 de novembro, a fábrica de fertilizantes localizada em Camaçari, na Bahia. Reinaugurada em janeiro deste ano, a unidade desempenha um papel estratégico para o campo brasileiro ao produzir ureia, atendendo atualmente a 5% da demanda nacional de insumos agrícolas.
Aposta na soberania do campo
O Brasil, reconhecido mundialmente como um dos maiores produtores de alimentos, ainda depende da importação de 90% dos fertilizantes necessários para suas lavouras. Durante o evento, o presidente Lula enfatizou a urgência de reverter esse cenário para garantir a independência do país. Ele criticou o longo período de paralisação de obras e instalações industriais, apontando que o Brasil precisa retomar sua capacidade produtiva para não ficar vulnerável a oscilações externas.
Uso estratégico do gás natural
A produção de fertilizantes nitrogenados, como a amônia e a ureia, tem o gás natural como matéria-prima essencial. Estimativas da Petrobras indicam que o país precisaria de mais de 20 milhões de metros cúbicos diários do insumo para suprir a demanda interna. Magda Chambriard, presidente da estatal, reforçou que o objetivo da empresa é destinar parte do gás extraído do pré-sal para finalidades que promovam o desenvolvimento nacional, integrando a produção de energia e fertilizantes.
Impacto no agronegócio
O ministro da Agricultura, André de Paula, também marcou presença e contextualizou a importância da medida frente aos conflitos geopolíticos globais. Segundo o ministro, as guerras envolvendo Rússia, Ucrânia, Irã e a influência de potências como os Estados Unidos encareceram os custos e complicaram a logística de importação. A retomada das atividades fabris, que abrange unidades na Bahia, em Sergipe e no Paraná, deve elevar a capacidade nacional de produção para 35%.
A planta baiana, que recebeu um investimento de R$ 100 milhões para voltar a operar, possui capacidade para fabricar 1,3 mil toneladas de ureia por dia. A iniciativa é vista pelo governo federal como um marco para reduzir a dependência externa e fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro nos próximos anos.
