Rio de Janeiro (RJ) – As duas faixas da orla de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, foram tomadas por uma multidão na tarde desta segunda-feira (12). Durante o feriado de Nossa Senhora Aparecida, apoiadores se reuniram em um ato que convergiu a defesa da democracia com o apoio explícito à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entre os presentes, Clara Davidorch, professora aposentada de 87 anos, caminhava ao lado de duas amigas, de 85 e 82 anos. Para ela, a presença nas ruas vai além da campanha eleitoral: é uma questão geracional. “Vim pelo Lula e pelas mulheres que morreram para que eu pudesse votar. Penso no futuro dos meus dois filhos e três netos”, afirmou. Clara, que mantém uma rotina de mobilização desde o dia 16 de agosto, demonstrou otimismo com a participação dos mais jovens na corrida eleitoral.
A pauta educacional e de inclusão social também marcou o tom dos discursos entre os manifestantes. Suelen Geovana, estudante de 25 anos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, viajou de Campo Grande, na zona oeste, para integrar o movimento. Beneficiária do sistema de cotas, a pós-graduanda em Gestão do Conhecimento destacou que sua trajetória acadêmica é reflexo das políticas implementadas durante os governos petistas. “Luto pela educação, pela saúde e pela igualdade. Entrei na faculdade pública porque venho de uma família pobre e acredito que é possível virar o resultado”, declarou, referindo-se aos números do primeiro turno.
A ocupação da praia carioca atraiu também famílias que buscavam transformar o ato em uma experiência pedagógica. A advogada Carolina Estrela, de 43 anos, levou os filhos Larissa, de 11, e Davi, de 8, para acompanhar a movimentação. Para ela, a exposição das crianças ao debate político é fundamental para a formação da cidadania. “Viver é um ato político. Estamos decidindo não apenas um representante, mas o futuro dos direitos humanitários e da dignidade da pessoa humana”, pontuou.
Carolina enfatizou que o exercício da democracia passa, obrigatoriamente, pela exposição ao contraditório. “Não quero que meus filhos cresçam em um ambiente de pensamento único. Eles precisam ter o direito de discordar”, defendeu.
A mobilização deste feriado não se restringiu à zona sul. Outros pontos estratégicos do estado foram palco de manifestações semelhantes, incluindo a Praça da Cantareira, em Niterói; a Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão; os Arcos da Lapa, no centro da capital; e a Praça dos Estudantes, em Nilópolis.
Apesar das tentativas de contato para apurar as atividades de campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL) — que no primeiro turno alcançou 47,03% dos votos contra 45,16% de Lula —, não houve retorno até a conclusão deste texto.
