Brasília (DF) – As articulações políticas na Câmara dos Deputados foram interrompidas abruptamente nesta terça-feira, 11 de agosto. Durante uma reunião estratégica do Colégio de Líderes, o deputado Pedro Uczai (PT-SC), que lidera a bancada do partido, sofreu um mal-estar repentino e desmaiou no recinto. O episódio exigiu intervenção imediata de colegas presentes, entre eles o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que possui formação médica e prestou os primeiros socorros.
Após retomar a consciência e passar por uma estabilização inicial no Departamento Médico do Legislativo, o parlamentar foi encaminhado ao hospital DF Star. A Liderança do PT confirmou, por meio de comunicado, que a transferência serviu como medida preventiva para a realização de exames complementares e acompanhamento diagnóstico mais rigoroso.
O incidente forçou o adiamento imediato da ordem do dia no plenário, que tinha como pauta central projetos de impacto direto para a gestão federal. O encontro dos líderes, onde ocorreu o desmaio, visava justamente definir a prioridade das votações desta semana de esforço concentrado.
Antes do episódio, Hugo Motta havia sinalizado que o foco do Legislativo seria a análise do Projeto de Lei Complementar (PLP) 114/2026. A proposta é uma resposta direta ao cenário de instabilidade geopolítica no Oriente Médio, especificamente o conflito entre Estados Unidos e Irã, que restringiu a principal rota estratégica de exportação de petróleo. O texto, se aprovado, autorizará o governo a reduzir ou isentar tributos federais sobre diesel, gasolina e etanol diante de picos nos preços internacionais do barril.
A relatora da matéria, deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO), mantém diálogos abertos com a equipe econômica. O escopo do projeto é amplo e deve integrar, além do alívio nos combustíveis, estímulos para a fabricação de fertilizantes, incentivos fiscais para a exploração de minerais críticos e a antecipação de repasses orçamentários para o Ministério da Defesa.
Motta reforçou a urgência da tramitação durante a breve entrevista que concedeu pela manhã. Houve um alinhamento prévio com o Senado para garantir que, caso a Câmara aprove o texto nos próximos dias, a pauta seja votada sem entraves pela outra casa legislativa ainda nesta semana. O objetivo é acelerar a deliberação, considerando que não haverá sessões presenciais nas semanas seguintes.
O retorno das atividades parlamentares pós-recesso iniciou um período de esforço concentrado dividido em dois ciclos estratégicos: de 10 a 14 de agosto e, posteriormente, de 31 de agosto a 3 de setembro. O calendário, desenhado pela cúpula do Congresso antes do pleito eleitoral, prioriza a validação de Medidas Provisórias (MPs) que liberam créditos extraordinários, fundamentais para evitar que o governo enfrente bloqueios financeiros por perda de vigência de normas durante o período de esvaziamento legislativo.
