O cenário eleitoral brasileiro ganha um novo contorno com a entrada de Renan Antônio Ferreira dos Santos na disputa pela Presidência da República. Aos 42 anos, o empresário paulista encabeça a primeira candidatura oficial do partido Missão, legenda que ele mesmo ajudou a fundar e que obteve registro definitivo junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em novembro de 2025.
A sigla não esconde sua origem. O projeto nasceu das entranhas do Movimento Brasil Livre (MBL), grupo que protagonizou as mobilizações pelo impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff em 2016. Hoje, a marca do partido é o que seus quadros classificam como uma direita de viés “altamente pragmático”, tendo o chamado Livro Amarelo como bússola ideológica. O programa foca na cartilha do liberalismo econômico, priorizando o empreendedorismo acima de pautas comportamentais tradicionais. Para compor a chapa, a legenda escalou o Coronel Medina como candidato a vice.
A trajetória de Renan Santos é marcada por passagens distintas. Nascido em São Paulo, o presidenciável iniciou o curso de Direito na Universidade de São Paulo (USP), mas interrompeu os estudos antes da formatura. Sua experiência profissional consolidou-se ao lado do pai, atuando na reestruturação e recuperação de empresas em colapso financeiro. Paralelamente à vida corporativa e política, ele mantém uma faceta menos convencional: a de músico, atuando como vocalista e guitarrista em uma banda de rock.
A experiência partidária de Santos não é recente. Antes de estruturar o Missão, ele teve uma passagem pelo PSDB entre 2010 e 2015. Sua habilidade de articulação nos bastidores ficou evidente nas eleições de 2018, quando coordenou os projetos vitoriosos de Kim Kataguiri para a Câmara dos Deputados e de Arthur do Val para a Assembleia Legislativa de São Paulo. O histórico recente do grupo, contudo, guarda turbulências; em 2022, Arthur do Val — então um de seus aliados mais próximos — teve o mandato cassado e tornou-se inelegível por um período de oito anos.
Agora, o desafio de Renan Santos é transformar o legado das ruas de 2016 em votos no sistema eletrônico de votação. A candidatura busca se diferenciar no espectro da direita ao focar na tecnicidade da gestão econômica, tentando atrair o eleitorado que, outrora, foi a base de sustentação para os protestos que definiram o rumo político da década passada no Brasil.
