Brasília (DF) – O plenário da Câmara dos Deputados selou, nesta quarta-feira (2), o destino político de Rodrigo Pacheco (PSB-MG). Com 404 votos favoráveis, apenas 61 contrários e uma abstenção, a Casa validou sua indicação para ocupar o posto de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). O movimento ocorre logo após o aval dado pelos senadores na noite de terça-feira (1º), deixando o caminho livre para a promulgação pelo Congresso Nacional.
Pacheco chega ao tribunal para ocupar a lacuna deixada por Bruno Dantas, que formalizou sua saída do cargo na última semana. O procedimento administrativo seguiu o rito previsto pelo projeto de decreto legislativo 995/2026, de autoria de Davi Alcolumbre (União-AP). A articulação, vale notar, contou com o respaldo de outros 20 parlamentares, equilibrando apoios entre a base governista e a oposição.
Embora carregue a nomenclatura de tribunal em sua estrutura, o TCU não pertence ao Poder Judiciário. A instituição atua como um braço de apoio técnico ao Congresso, com a missão central de auditar e fiscalizar como o dinheiro público federal é executado. A chegada de Pacheco ao órgão marca uma transição em sua trajetória, saindo da articulação política direta para o controle fiscal.
Aos 48 anos, Pacheco acumula um histórico de exposição pública intensa. Nascido em Porto Velho, o bacharel em direito pela PUC-MG e advogado criminalista com especialização em direito penal econômico internacional esteve à frente do Senado Federal durante momentos críticos do Brasil, incluindo os biênios 2021-2022 e 2023-2024. Sua gestão no comando da casa legislativa foi marcada pela condução da CPI da covid-19, período que coincidiu com o colapso do sistema de saúde em Manaus e o início da corrida pela imunização em massa.
Antes de ascender à presidência do Senado, Pacheco já havia percorrido o caminho da Câmara como deputado federal entre 2015 e 2018. Sua atuação como legislador foi focada em temas de grande envergadura, sendo o mentor de propostas como o marco regulatório da inteligência artificial — sob o PL 2338/23 — e o projeto de atualização do Código Civil, o PL 4/25.
Além das pautas de costumes e tecnologia, o currículo de Pacheco no Congresso traz marcas na economia e no esporte. Ele foi o responsável pela articulação da Sociedade Anônima do Futebol, que transformou a estrutura jurídica dos clubes brasileiros, e pelo Programa de Pleno Pagamento de Dívida dos Estados, o PLP 121/24. Agora, a partir de uma posição técnica no TCU, o ex-senador transita para um novo capítulo, onde a fiscalização do erário será seu principal campo de atuação.
