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SUS pode receber nova PrEP injetável de longa duração contra o HIV até dezembro
Saúde

Ministério da Saúde negocia com GSK para ofertar PrEP injetável de 2 meses no SUS até dezembro

Última atualização: 29 de Julho, 2026 13:32
Por
Erre Soares
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4 Min Leia
📷 Fernando Frazão/Agência Brasil
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Brasília (DF) – A rotina diária de tomar comprimidos para se proteger do HIV pode estar com os dias contados para muitos brasileiros. Até o final deste ano, o Sistema Único de Saúde poderá oferecer o cabotegravir, uma versão de profilaxia pré-exposição injetável que exige apenas uma aplicação a cada dois meses. O Ministério da Saúde planeja enviar o pedido de incorporação do medicamento à Comissão Nacional de Incorporação de Novas Tecnologias no SUS na próxima semana.

A decisão final sobre a compra caberá à pasta, mas depende de um parecer desse colegiado, que avalia a relação entre custo e benefício da nova tecnologia. O governo federal já conduz negociações com a farmacêutica GSK, fabricante do remédio. Segundo o ministro Alexandre Padilha, as tratativas avançam sob termos razoáveis. Em pronunciamento feito no Rio de Janeiro, antes da abertura da 26ª Conferência Internacional de Aids, Padilha enfatizou que o país exige valores sustentáveis para sistemas públicos de saúde, rejeitando preços considerados abusivos.

A disputa pelos custos das terapias de longa duração

Essa postura fiscal barrou a adoção de outra alternativa inovadora. O lenacapavir, fabricado pela Gilead, promete proteção por seis meses, mas ficou fora dos planos nacionais devido ao preço proibitivo. O ministro revelou que o governo brasileiro se dispôs a pagar até dez vezes o valor cobrado de nações com perfil econômico semelhante, como Tailândia e Indonésia. Diante da recusa da empresa, a negociação foi encerrada para evitar o desgaste dos recursos públicos.

A exclusão do Brasil do acordo de licenciamento voluntário da Gilead — que autorizou laboratórios de genéricos a produzirem o lenacapavir para 120 países — gerou forte repercussão negativa. Organizações internacionais, incluindo o Unaids, criticaram a barreira comercial, visto que o fármaco é tido como estratégico para frear a epidemia global. Em nota, a Gilead argumentou que busca alternativas viáveis para mercados fora da licença voluntária e destacou o Brasil como parceiro potencial para futura produção local, tendo assinado um memorando de entendimento com a Fundação Oswaldo Cruz para transferência de tecnologia.

Adesão e eficácia no cenário nacional

Atualmente, a prevenção medicamentosa oferecida na rede pública depende exclusivamente de comprimidos diários. Essa modalidade atende mais de 350 mil pessoas no país. Contudo, manter a disciplina diária é um desafio constante. É aí que a alternativa injetável ganha força.

Um estudo conduzido pela Fiocruz com 1,4 mil voluntários em seis cidades brasileiras apontou que 83% dos participantes preferem a aplicação intramuscular ao uso diário de pílulas. A pesquisa registrou uma taxa de assiduidade de 94% às consultas para aplicação das doses, resultando em zero infecções pelo vírus durante o acompanhamento. Ensaios clínicos divulgados pelas desenvolvedoras ViiV Healthcare e GSK também atestam essa robustez, demonstrando uma taxa anual de infecção de somente 0,1% em cenários de uso real.

MARCADOcabotegravirHIVMinistério da SaúdePrEP injetávelSUS
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