Brasília (DF) – O Sistema Único de Saúde (SUS) elevou o patamar de seu suporte a jogadores compulsivos a partir desta terça-feira (4). Com a nova estrutura, a rede pública passa a comportar até 100 mil teleatendimentos por mês, um salto expressivo em relação aos 600 atendimentos mensais registrados quando o projeto foi inaugurado, em março deste ano.
A necessidade de ampliação surgiu após o Ministério da Saúde identificar um volume de procura muito superior ao esperado. A ferramenta está integrada ao aplicativo Meu SUS Digital e conta com suporte técnico e estratégico dos Ministérios da Fazenda e da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS). A dinâmica é pensada para garantir o anonimato e o acolhimento, servindo como um ponto de triagem inicial para encaminhamento à Rede de Atenção Psicossocial (Raps).
A dimensão do problema reflete-se em números recentes: cerca de 1 milhão de usuários já solicitaram a autoexclusão de seus CPFs em plataformas de apostas. Segundo o Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas, em 35% desses casos, o pedido foi motivado pela perda de controle sobre o hábito de apostar.
O monitoramento do Ministério da Saúde alerta para comportamentos que indicam o desenvolvimento de dependência. Entre os sinais críticos estão a alteração na rotina de sono e alimentação, o isolamento progressivo, o uso recorrente de mentiras para esconder prejuízos e o comprometimento das finanças pessoais. O agravamento de quadros de ansiedade, o aumento no consumo de álcool e drogas e a irritabilidade severa quando o indivíduo é impedido de jogar também figuram como indicadores de risco.
Para os especialistas da pasta, a vulnerabilidade ao vício não é fruto do acaso. Entre os fatores que elevam a probabilidade de dependência, destacam-se a facilidade de acesso aos sites, a exposição precoce a esse tipo de entretenimento e a tentativa de usar a aposta como válvula de escape para problemas emocionais. A tendência é potencializada em pessoas que já possuem histórico de transtornos como depressão ou que apresentam maior impulsividade na busca por recompensas imediatas.
Com essa expansão, o governo busca oferecer uma resposta pública a um fenômeno que afeta não apenas a saúde mental dos cidadãos, mas também a estabilidade de orçamentos familiares. A estratégia foca, sobretudo, na identificação precoce desses sintomas antes que o transtorno resulte em danos irreparáveis às relações sociais e profissionais dos usuários.
