São Paulo (SP) – O que deveria ser uma rotina escolar comum na manhã desta sexta-feira, dia 26, transformou-se em um cenário de apreensão no bairro Jardim São Luís, na zona sul de São Paulo. Cinco estudantes da Escola Estadual Prof. Luis Gonzaga Pinto e Silva acabaram hospitalizados depois de inalarem resíduos de um artefato químico disparado durante uma atividade da Polícia Militar nas imediações do colégio.
O incidente pegou pais e professores de surpresa. O forte odor que invadiu as salas de aula pouco tempo depois do início do expediente escolar gerou mal-estar imediato entre os jovens. A origem do problema, segundo a própria corporação admitiu posteriormente à direção da unidade, foi um treinamento de rotina conduzido no batalhão instalado exatamente ao lado da escola.
A Secretaria Estadual de Educação de São Paulo confirmou o episódio. Por meio de nota, a Unidade Regional de Ensino Sul 2 manifestou pesar pelo ocorrido. O alívio veio poucas horas depois: todas as cinco crianças, após passarem pelo crivo médico necessário para garantir que não houvesse complicações respiratórias, receberam alta e voltaram para casa.
A situação, contudo, levanta questionamentos sobre a segurança e a logística de manobras policiais realizadas em áreas densamente povoadas, onde a proximidade com instituições de ensino deveria exigir protocolos de isolamento mais rigorosos. A Secretaria de Segurança Pública do estado optou por abrir um procedimento administrativo para dissecar as responsabilidades e entender como o gás alcançou o perímetro escolar.
Na versão oficial apresentada pela pasta, a justificativa é que o exercício da força tática acontecia em um espaço destinado especificamente para instruções de campo. O texto da secretaria sustenta que, ao perceberem a dispersão do produto químico para além dos muros do batalhão, os agentes encerraram a atividade na mesma hora.
A nota acrescenta ainda que, assim que o desconforto dos alunos foi notificado, o protocolo de socorro foi acionado de imediato. O Samu e o Corpo de Bombeiros foram chamados para prestar assistência preventiva aos estudantes. Resta agora saber, através da apuração administrativa, se houve falha na execução técnica ou se as condições climáticas foram um fator imprevisto que facilitou a propagação do material tóxico até as dependências da escola.
