O Banco de Brasília (BRB) alterou as diretrizes de seu plano de capitalização e passou a aceitar aportes parciais. A mudança permite que a instituição homologue recursos de forma gradual, alcançando o teto de R$ 8,8 bilhões, sem a necessidade de esperar a conclusão total do processo para buscar o aval do Banco Central. Segundo nota oficial divulgada nesta quarta-feira (27), a estratégia visa dar celeridade à recomposição financeira do banco estatal.
A proposta de aumento, aprovada pelos acionistas em abril, prevê a emissão de ações a R$ 5,36 cada, com o objetivo de elevar o capital social de R$ 2,344 bilhões para até R$ 11,16 bilhões. Para garantir a participação de quem já investe na casa, a direção estendeu o prazo de exercício do direito de preferência até o dia 3 de junho. O Governo do Distrito Federal, controlador majoritário com 53,7% das ações, acompanha de perto essa movimentação, essencial para o enquadramento regulatório da instituição.
O cenário é crítico. Desde que a Operação Compliance Zero da Polícia Federal revelou um esquema de fraudes bilionárias envolvendo ativos podres do Banco Master, o BRB mergulhou em uma crise sem precedentes. O ex-presidente Paulo Henrique Costa foi afastado e preso sob suspeita de receber propina, enquanto o rombo contábil — que pode superar os R$ 10 bilhões — permanece sem clareza total, já que o balanço obrigatório não foi entregue ao Banco Central.
Para sobreviver, o governo distrital recorreu ao Supremo Tribunal Federal, pleiteando um socorro financeiro de R$ 6,6 bilhões via Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Em audiências recentes, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, sinalizou que o aval da União depende de contragarantias robustas, como o uso de repasses do Fundo de Participação dos Estados (FPE) em caso de inadimplência. A sobrevivência do banco, agora, depende do sucesso desse equilíbrio entre a capitalização privada e a intervenção estatal.
