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Vinte anos após os Crimes de Maio, mães de vítimas ainda buscam por justiça
Justiça

Vinte anos após os Crimes de Maio, mães de vítimas ainda buscam por justiça

Última atualização: 11 de Maio, 2026 13:41
Por
Erre Soares
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3 Min Leia
📷 Paulo Pinto/Agência Brasil
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O mês de maio de 2006 marcou tragicamente a história de São Paulo, quando uma onda de violência coordenada pelo Primeiro Comando da Capital e uma resposta letal de agentes estatais deixaram mais de 500 mortos. Entre as vítimas estava Edson Rogério Silva dos Santos, gari de 29 anos e filho de Débora Maria da Silva, que foi executado na Baixada Santista apenas um dia após celebrar o aniversário da mãe.

A dor de uma perda sem fim

O crime ocorreu na segunda-feira seguinte ao Dia das Mães, momento em que Edson foi abordado por policiais em um posto de combustível. Testemunhas relataram que o jovem foi seguido por viaturas até um muro, onde foi executado com cinco tiros. Para Débora, a perda do primogênito não foi apenas o fim de uma vida, mas o desmantelamento de toda a sua estrutura familiar e o roubo de sua capacidade de celebrar datas comemorativas.

Vinte anos depois, o sentimento de impunidade permanece como uma ferida aberta. Débora relata que a proximidade do aniversário da tragédia traz um peso emocional avassalador, agravado pelo risco de prescrição dos crimes. A falta de responsabilização dos envolvidos, segundo ela, é uma forma de violência continuada exercida pelo Estado contra as famílias das vítimas.

Luta por memória e justiça

Em resposta à dor, Débora ajudou a fundar o movimento Mães de Maio. A rede tornou-se um símbolo de resistência, reunindo familiares de vítimas da violência estatal em todo o país. Recentemente, o grupo uniu forças com a organização Conectas Direitos Humanos para denunciar à Organização das Nações Unidas a omissão do Brasil na investigação desses massacres, destacando que nenhum agente público foi devidamente punido até hoje.

O legado de resistência

O movimento defende que a violência de 2006 não foi um evento isolado, mas parte de um padrão que se repete nas periferias brasileiras até os dias atuais. Débora enfatiza que os jovens mortos não eram suspeitos, como rotulados pelo Estado, mas cidadãos com nome, sobrenome e história. Para ela, o acolhimento a outras mães que enfrentam situações semelhantes é uma forma de manter viva a memória dos filhos e de exigir mudanças profundas na segurança pública.

A trajetória de Débora e o impacto desses episódios na sociedade brasileira serão abordados no programa Caminhos da Reportagem. O episódio, intitulado Crimes de Maio, 20 anos sem Respostas, vai ao ar nesta segunda-feira, às 23h, na TV Brasil, reforçando a necessidade urgente de um país que, enfim, priorize a justiça e a memória em vez da impunidade.

MARCADOCrimes de MaioDireitos HumanosJustiçaMães de MaioViolência Policial
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