Brasília (DF) – O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Câmara dos Deputados esclareça, em até 48 horas, a agenda internacional do deputado Mario Frias (PL-SP). A decisão desta quarta-feira (20) foi motivada pela dificuldade do Judiciário em localizar o parlamentar para notificá-lo sobre uma investigação envolvendo o repasse de emendas a uma ONG ligada à produtora da cinebiografia de Jair Bolsonaro.
A tentativa de intimação tornou-se um obstáculo burocrático: um oficial de justiça buscou contato com Frias cinco vezes. Na semana passada, sua secretária alegou que ele cumpria missão no exterior sem data de retorno. Já na última segunda-feira, ao buscar o deputado em seu endereço oficial em Brasília, o servidor da Corte ouviu do porteiro que o parlamentar não reside no local há dois anos.
Defesa e investigações
Em entrevista ao SBT News na terça-feira (19), Frias justificou que sua estadia no Bahrein visava atrair investimentos, enquanto sua passagem pelos Estados Unidos teria foco em segurança pública. O parlamentar negou irregularidades e garantiu que possui passagem de volta, afirmando estar pronto para prestar esclarecimentos. “Não devo nada”, declarou.
O deputado é investigado por um suposto desvio de finalidade na destinação de R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil, entidade conectada à Go Up Entertainment — responsável pelo filme Dark Horse. O caso chegou ao STF por uma representação da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que questiona a legalidade dos repasses.
