Seul, Coreia do Sul – O cenário da bocha paralímpica mundial mudou nesta segunda-feira (31), em Seul. A Coreia do Sul testemunhou o Brasil conquistar três medalhas em um único dia nas disputas individuais, marcando um desempenho que supera a marca alcançada há quatro anos, no Rio de Janeiro. O protagonista da jornada foi José Antônio Santos, um jovem de 19 anos que, na classe BC4 — reservada a atletas com deficiências severas sem auxílio —, alcançou o topo do pódio.
José Antônio não deu chances ao oponente na final. O placar de 6 a 1 contra Yuk Wing Leung, de Hong Kong, selou uma trajetória de ascensão meteórica. Portador de distrofia muscular de Duchenne, o potiguar já havia demonstrado seu potencial no ano passado, em Curitiba, ao conquistar um título mundial inédito na categoria juvenil. A experiência internacional cresceu em outubro, quando ele garantiu o título da Copa América, realizada na Colômbia.
A bandeira brasileira subiu outras duas vezes durante as premiações. Mateus Carvalho, mineiro que compete na classe BC3 com o auxílio de um calheiro, teve um dia consistente. Após despachar o francês Jules Menard por 5 a 0 na semifinal, ele encarou o australiano Daniel Michel na decisão. Em um confronto equilibrado, o placar de 3 a 2 para o australiano garantiu a prata ao brasileiro.
O terceiro pódio veio com autoridade. Maciel Santos, nome consolidado na modalidade, garantiu o bronze na classe BC2 ao aplicar um impiedoso 10 a 0 sobre o chinês Zhiqiang Yan. O currículo de Maciel já trazia os pesos das medalhas de ouro obtidas em Londres 2012 e Tóquio 2020, além da prata nas duplas conquistada na Rio 2016.
A delegação brasileira em Seul ainda mantém o foco nas quadras. A competição prossegue até a próxima quinta-feira (3), desta vez com as atenções voltadas para as disputas de pares e equipes. O saldo atual, contudo, já deixa claro que o país se consolidou como uma potência dominante na bocha em solo sul-coreano.
