Brasília (DF) – O procurador-geral da República, Paulo Gonet, aproveitou a sessão desta terça-feira (15) no Supremo Tribunal Federal (STF) para afastar especulações sobre seu envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O nome de Gonet surgiu em diálogos extraídos de aparelhos telefônicos apreendidos no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga Vorcaro por suspeitas de corrupção e fraudes financeiras.
Ao se dirigir aos ministros, o procurador-geral foi categórico ao negar qualquer tipo de intimidade ou relação pregressa com o ex-executivo do Banco Master. Segundo Gonet, o único encontro presencial entre ambos aconteceu em abril de 2024, durante um evento que reuniu diversas autoridades. Na ocasião, o contato teria sido intermediado por um advogado e, conforme descreveu, tratou-se de uma interação breve e sem substância.
A menção a Gonet nos autos surgiu após a revelação de documentos pelo ministro André Mendonça. Relatórios da Polícia Federal indicam que o nome do PGR aparece em conversas de Vorcaro com outros interlocutores. Em um desses diálogos, datado de 2024, um contato chamado Ciro Soares comenta com o investigado que o procurador seria alguém “firme”.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi uma mensagem de 15 de novembro de 2025, redigida pouco antes da prisão de Vorcaro. Nela, o ex-banqueiro questiona a possibilidade de “reverter” o andamento do caso recorrendo a “Paulo ou Andrei” — alusões interpretadas pela Polícia Federal como referências a Paulo Gonet e ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. Contudo, não há evidências nos registros de que o PGR tenha sido, de fato, procurado ou que tenha realizado qualquer movimento para interferir nas apurações.
Gonet destacou que o próprio ministro André Mendonça, responsável pela relatoria do caso na fase de divulgação, reconheceu que não foram encontrados elementos que apontassem para condutas ilícitas de sua parte. A defesa feita pelo PGR ocorreu durante uma questão de ordem suscitada por Gilmar Mendes, que solicitava a análise conjunta das supostas irregularidades atribuídas a Mendonça na condução do processo.
O julgamento no plenário tomou um novo rumo quando o ministro Flávio Dino solicitou vista, interrompendo a discussão sem previsão de retorno. Antes da pausa, o placar parcial da votação sobre o rito do julgamento indicava 4 votos a 3. Enquanto Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes apoiaram a análise conjunta, os ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia e André Mendonça, sob a presidência de Edson Fachin, manifestaram-se pelo julgamento separado.
