Recife (PE) – Mais uma vida teve o curso dramaticamente alterado pela força da natureza em Pernambuco. Nesta segunda-feira (1º), uma jovem de 19 anos teve a coxa amputada depois de um ataque de tubarão na Praia de Boa Viagem, zona Sul do Recife – perto do quiosque 19. A gravidade do ferimento evidenciou a brutalidade do incidente, que acende um novo e preocupante sinal de alerta sobre os riscos na orla.
Os primeiros socorros aconteceram ainda na areia, prestados pelo Corpo de Bombeiros. De lá, a jovem foi rapidamente levada ao Hospital Alfa, onde recebeu atendimento inicial e foi estabilizada. Mas, a extensão do ferimento demandou uma ação mais complexa. Uma unidade de suporte avançado do Samu realizou a transferência para o Hospital da Restauração, referência em traumas graves na região. No HR, o cenário era delicado: conforme detalhou o diretor-geral, Dr. Petrus Andrade Lima, a paciente já havia chegado intubada, em estado grave, e com a coxa amputada. A equipe médica agiu sem tempo a perder, e a jovem seguiu direto para o bloco cirúrgico, de onde, após a intervenção, seria encaminhada para a UTI.
O episódio desta segunda-feira, contudo, não é um fato isolado; ele segue de perto outra tragédia que chocou a região. Apenas um dia antes, no domingo (31), um menino de 11 anos foi vítima de um ataque similar na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. Os ferimentos eram graves: na coxa, mão esquerda e quadril. Tal como a jovem recém-internada, o menino precisou ter a perna esquerda amputada após um procedimento cirúrgico no Hospital da Restauração. A boa notícia, atualizada na própria segunda-feira, era que a criança seguia estável na UTI Pediátrica, em tratamento para evitar infecções decorrentes da mordida.
Diante desse cenário repetitivo, a conscientização social sobre os riscos torna-se mais urgente do que nunca. Mariana Rêgo, coordenadora do Núcleo de Educação Ambiental da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), enfatiza a importância de a população, enfim, absorver todas as informações que circulam — seja pelas redes sociais, seja pelos trabalhos contínuos em praias, praças e escolas. Não são à toa, aliás, as placas de sinalização ao longo da orla, resultado de estudos científicos extensivos. A mensagem é clara: sem a atenção e o entendimento do público, mitigar esses incidentes torna-se uma tarefa quase impossível.
Os próprios salva-vidas, incessantemente, reiteram a necessidade de se respeitar a sinalização que indica as condições do mar, a qualidade da água e a potencial presença de animais marinhos. Entrar no mar em áreas não protegidas por barreiras de corais (as represadas), especialmente durante a maré alta ou quando as águas estão turvas, aumenta consideravelmente o perigo. E essa, infelizmente, é uma lição que o litoral pernambucano, dolorosamente, tem reforçado nos últimos dias.
