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STF determina que Congresso apresente matriz de responsabilidade para o uso de emendas
Justiça

STF determina que Congresso apresente matriz de responsabilidade para o uso de emendas

Última atualização: 29 de Julho, 2026 16:17
Por
Erre Soares
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3 Min Leia
📷 Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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Brasília (DF) – O ministro Flávio Dino, integrante do STF, deu um passo decisivo nesta quarta-feira (29) para colocar sob lupa o fluxo de recursos das emendas parlamentares. Em sua determinação, o magistrado ordenou que a Câmara dos Deputados e o Senado Federal submetam à Corte uma matriz detalhada de responsabilidades, desenhada para monitorar com rigor como esses valores são movimentados.

A medida surge como resposta direta a uma sequência de alertas emitidos pela CGU, pelo TCU e pela Polícia Federal. Os relatórios desses órgãos de controle detectaram padrões persistentes de irregularidades na execução dessas verbas. O tribunal agora quer saber, com nomes e funções, quem assina e quem autoriza cada elo da corrente que transforma uma indicação política em dinheiro público transferido.

Dino foi categórico ao definir que a proposta deve incluir, obrigatoriamente, a responsabilidade do autor da emenda individual. Para o ministro, o debate superou a esfera da discricionariedade política e atingiu o núcleo do devido processo constitucional orçamentário. Ele utilizou uma analogia direta para reforçar o ponto: o uso de recursos públicos segue ritos rígidos e não pode ser confundido com transferências financeiras de natureza privada ou cotidiana.

O despacho não se limitou ao Poder Legislativo. O magistrado abriu prazo para que a Presidência da República, via AGU, e a PGR apresentem suas manifestações sobre o cenário atual das transferências. A decisão marca um novo capítulo em uma disputa que se arrasta desde dezembro de 2022, quando o plenário do STF declarou a inconstitucionalidade das chamadas emendas de relator, identificadas como RP8 e RP9.

Mesmo após a tentativa do Congresso de ajustar as normas por meio de uma resolução, o PSOL, autor da ação original, seguiu provocando o tribunal sob o argumento de que a transparência e a legalidade ainda não haviam sido alcançadas. Com a aposentadoria da ministra Rosa Weber, que conduzia o processo anteriormente, coube a Dino assumir a relatoria e acelerar o controle sobre o fluxo desses recursos.

A expectativa agora recai sobre o teor da resposta que será enviada pelo Congresso. O STF busca, na prática, mecanismos que permitam rastrear a origem e o destino de cada centavo, fechando brechas que, segundo os órgãos de fiscalização, permitiam a opacidade no uso das emendas. A exigência de uma matriz é o primeiro passo para que o Judiciário consiga auditar, de forma técnica e objetiva, quem responde por eventuais desvios ou mau uso da verba federal.

MARCADOCongresso NacionalEmendas ParlamentaresFlávio DinostfTransparência Pública
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