Rio de Janeiro (RJ) – O coração histórico do Rio de Janeiro prepara-se para uma transformação profunda. Nas próximas duas décadas, a região da Praça Onze, palco icônico do Sambódromo, será o centro de um plano que projeta investimentos de R$ 1,7 bilhão. A meta é clara: reocupar o centro da cidade por meio da criação de 37 mil unidades residenciais, consolidando o ciclo de revitalização iniciado com o Porto Maravilha e o programa Reviver Centro.
A face do bairro mudará drasticamente com a derrubada do Elevado 31 de Março, seguindo o modelo adotado anteriormente com o Viaduto da Perimetral na zona portuária. Em seu lugar, será erguida a Avenida da Democracia, via que simboliza a nova integração entre os bairros de Santa Teresa, Catumbi, Rio Comprido, Cidade Nova e o Centro Histórico.
A arquitetura terá um papel central na reconfiguração da área. No terreno atualmente ocupado pelo Terreirão do Samba, será erguida a Biblioteca dos Saberes, projeto de autoria do arquiteto burquinense radicado na Alemanha, Francis Kéré. A iniciativa busca transformar a região não apenas em um centro residencial, mas em um polo de economia criativa e educação patrimonial que funcione plenamente durante os 365 dias do ano, rompendo a sazonalidade que historicamente isola a Passarela do Samba após o carnaval.
A estratégia econômica por trás desse redesenho urbano apoia-se na Operação Interligada, um mecanismo de transferência do direito de construir que já foi responsável pela viabilização de mais de 9 mil habitações desde 2021. O município agora amplia a oferta de benefícios fiscais, estendendo incentivos a investidores que optarem pelo potencial construtivo tanto na Praça Onze quanto em bairros como Tijuca, Rio Comprido e áreas nobres da zona sul, como Ipanema, Copacabana, Botafogo, Flamengo, Glória e Catete.
A mobilidade urbana também entra na conta. O pacote de obras inclui um convênio para a extensão da Linha 2 do metrô. O trecho entre as estações Estácio e Carioca deve ganhar reforços fundamentais com a construção das novas estações Catumbi e Praça Cruz Vermelha, facilitando o acesso ao bairro em processo de renovação.
O foco nos chamados retrofits — a reforma de imóveis ociosos com mudança de uso — é a espinha dorsal do projeto. Ao aliar a reformulação do sistema viário com políticas de atração habitacional, a administração municipal pretende devolver a vitalidade a uma das regiões mais simbólicas do Rio de Janeiro, conectando o passado cultural ao futuro do adensamento urbano.
