Rio de Janeiro (RJ) – O procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Rio de Janeiro, Antônio José Campos Moreira, lançou uma luz incômoda sobre a administração fluminense. Em entrevista coletiva recente, ele foi direto: existe, entranhado no estado, um ambiente institucional que favorece a corrupção. A declaração serviu como pano de fundo para a operação que resultou na prisão de seis pessoas e na execução de nove mandados de busca e apreensão, mirando um esquema de desvio de recursos no Instituto Rio Metrópole.
A ação penal, movida pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal, denunciou 11 indivíduos por crimes que vão de organização criminosa e corrupção até fraude em licitação. Segundo Moreira, o contrato sob o foco das investigações soma R$ 80 milhões, embora esse seja apenas a ponta do iceberg, já que outros casos de gravidade elevada também estão na mira dos investigadores.
Ao analisar a crise financeira que assombra o Rio de Janeiro há décadas, o procurador não poupou palavras. Ele descreveu órgãos públicos, que deveriam funcionar a serviço do cidadão, como estruturas cooptadas por delinquentes e transformadas em verdadeiros antros de corrupção. Questionado sobre a origem da apuração, o chefe do MP fluminense explicou que o trabalho começou antes mesmo de qualquer colaboração documental do governo estadual, embora informações enviadas pelo Executivo tenham dado fôlego extra aos investigadores.
Existe hoje uma configuração atípica no estado, com a chefia do Poder Executivo sendo exercida, em caráter transitório, pelo presidente do Tribunal de Justiça. Para o procurador, esse cenário de magistrado de carreira no comando facilita uma atuação integrada e, ao mesmo tempo, independente. A ideia é estabelecer um fluxo permanente de troca de informações, permitindo que qualquer indício de irregularidade seja repassado ao Ministério Público com agilidade.
A necessidade de uma limpeza nas entranhas da máquina pública foi apontada como o principal legado que pode ser deixado pelo atual governo. A promessa do Ministério Público é clara: a responsabilização não deve se limitar aos executores diretos, mas alcançar também os responsáveis pelas nomeações e pela montagem dos núcleos de corrupção.
Do lado do governo, o secretário do Gabinete de Segurança Institucional, Roberto Lisandro Leão, reforçou que a integração com outros órgãos é a peça-chave para a proteção do patrimônio público. A estratégia envolve a realização de auditorias constantes, tanto na folha de pessoal quanto na análise rigorosa de contratos. O objetivo é que qualquer anomalia encontrada ganhe o caminho dos tribunais sem escalas.
O suporte técnico dessa ofensiva conta com a participação do Comitê de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativos, vinculado ao Ministério da Justiça. O delegado André Timoni, representante do órgão, destacou o papel da inteligência financeira no rastreamento do dinheiro. Ao analisar a movimentação dos recursos desviados, o grupo fornece a base estratégica necessária para que as investigações patrimoniais consigam, enfim, mapear o caminho percorrido pelo dinheiro público desviado.
