Brasília (DF) – O cenário educacional brasileiro atravessou uma marca simbólica em 2025. Pela primeira vez em quase uma década, a taxa de brasileiros com 15 anos ou mais incapazes de ler e escrever um bilhete simples caiu para 4,9%. O número representa 8,4 milhões de pessoas, um recuo significativo se comparado aos 10,6 milhões — ou 6,7% da população — registrados em 2016.
Apesar da tendência de queda, o abismo geracional ainda é evidente. O peso do analfabetismo está concentrado na terceira idade: brasileiros com 60 anos ou mais compõem 58% do contingente total de analfabetos do país. O levantamento, detalhado na última sexta-feira (19), aponta também avanços em outros indicadores de escolaridade. Pela primeira vez, mais da metade da população negra ou parda com 25 anos ou mais atingiu a marca de ter o ensino médio completo, chegando a 51,3%.
O gargalo na juventude
Nem tudo, no entanto, é avanço. O fluxo de jovens que abandonam a sala de aula persiste como um entrave ao desenvolvimento social. Entre os 46,6 milhões de brasileiros na faixa dos 15 aos 29 anos, 40,8% não estudam, não buscam qualificação e já estão inseridos no mercado de trabalho. A precocidade na busca por renda, muitas vezes forçada pela necessidade doméstica, se impõe sobre a educação formal.
O perfil dessa interrupção escolar carrega recortes de gênero bem definidos. Para os homens, a motivação principal para deixar a escola é a urgência financeira. Entre as mulheres, o cenário se divide: embora a necessidade de trabalhar também ocupe o topo da lista, o peso da responsabilidade com afazeres domésticos e o cuidado com terceiros surge como um fator determinante e recorrente que as afasta das instituições de ensino.
A qualificação permanece sendo o ponto de tensão. Especialistas alertam que, embora o hiato entre 2019 e 2025 mostre uma melhora no quadro geral, a estagnação de jovens que não buscam novos conhecimentos limita drasticamente as chances de ascensão profissional a longo prazo.
Desigualdades regionais
O mapa do analfabetismo no Brasil continua revelando contrastes geográficos profundos. Na ponta mais favorável, estados como Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo apresentam os menores índices de iletrados. Na direção oposta, a Paraíba, o Piauí e Alagoas ainda lutam contra as taxas mais elevadas, evidenciando que o desafio do letramento e da permanência escolar ainda exige estratégias distintas de norte a sul do território nacional.
