La Guaira, Venezuela – O luto tomou conta da família da modelo brasiliense Vanessa Zacarias da Silva, de 44 anos. Na última sexta-feira (26), parentes confirmaram que ela está entre as vítimas do violento terremoto que devastou a Venezuela na noite de quarta-feira (24). A tragédia encerrou abruptamente um capítulo que ela escrevia longe de casa: há apenas dois meses, Vanessa havia se mudado para a cidade costeira de La Guaira, situada a cerca de 25 quilômetros de Caracas, onde vivia com o namorado venezuelano.
Thiago Nogueira, irmão de Vanessa, utilizou as plataformas digitais para expressar a dor da perda. Em uma mensagem marcada pela comoção, descreveu a irmã como uma pessoa admirável e afirmou que ela buscava viver seus próprios sonhos quando foi surpreendida pela força da natureza. A região de La Guaira foi um dos pontos mais críticos atingidos pelos tremores.
Embora o Ministério das Relações Exteriores tenha emitido um comunicado oficial na quarta-feira confirmando o falecimento de dois cidadãos brasileiros na área da tragédia, a pasta ainda não divulgou os nomes das vítimas. Por esse motivo, não há um anúncio oficial que vincule o caso de Vanessa aos dados do Itamaraty, que mantém acompanhamento sobre a situação e oferece suporte consular aos familiares.
Os números que chegam da Venezuela revelam a dimensão do desastre: já são 920 mortos confirmados. O rastro de destruição inclui 3.360 feridos e mais de 4.000 pessoas desabrigadas, que agora dependem de ajuda emergencial para sobreviver. Equipes de resgate ainda trabalham contra o tempo, pois 172 pessoas permanecem sob os escombros, aguardando socorro em meio aos destroços.
Em resposta à crise, o Brasil enviou um avião de transporte levando uma missão humanitária composta por 44 especialistas e 12 toneladas de equipamentos destinados às operações de busca e salvamento. A mobilização foi autorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atendendo a uma solicitação direta do governo venezuelano para reforçar o socorro internacional.
O suporte brasileiro terá um desdobramento importante na manhã deste sábado (27), com a partida de uma segunda aeronave. A nova carga logística é focada no atendimento médico emergencial e na infraestrutura básica. A bordo do avião seguem 48 militares da Marinha do Brasil, responsáveis por montar e operar uma Unidade Avançada de Trauma do Hospital de Campanha. Além da estrutura hospitalar, a missão levará 100 purificadores de água equipados com painéis solares. Cada unidade possui capacidade para tratar até 5.000 litros de água por dia, um item crucial para evitar a propagação de doenças em áreas onde o acesso a recursos básicos foi completamente interrompido pelo abalo sísmico.
