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Conselho Superior do MPF sinaliza apoio à permanência de Paulo Gonet no caso Master
Justiça

Conselho Superior do MPF sinaliza apoio à permanência de Paulo Gonet no caso Master

Última atualização: 28 de Setembro, 2026 8:18
Por
Erre Soares
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4 Min Leia
📷 Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Brasília (DF) – O Conselho Superior do Ministério Público Federal iniciou nesta sexta-feira (25), por volta das 10h, a análise de uma representação que buscava afastar o procurador-geral da República, Paulo Gonet, das investigações relacionadas ao Banco Master. Até o momento, três dos nove conselheiros que compõem o órgão de cúpula da instituição já se posicionaram, consolidando uma maioria pela continuidade de Gonet no processo.

O subprocurador-geral Francisco de Assis Sanseverino, relator do caso, votou pelo arquivamento integral da notícia-crime apresentada pelo Partido Novo. A legenda questionava a conduta do PGR, sugerindo um possível crime de prevaricação no acompanhamento do caso, fundamentando suas suspeitas em mensagens e anotações encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro preso preventivamente desde novembro de 2024 no âmbito da Operação Compliance Zero.

Os conselheiros Celso de Albuquerque Silva e Janice Agostinho Barreto Ascari acompanharam o entendimento do relator sobre a manutenção de Gonet no caso. No entanto, Janice Ascari apresentou divergência quanto ao arquivamento imediato, defendendo que aspectos específicos da representação ainda demandam esclarecimentos adicionais.

Em sua fundamentação, Sanseverino argumentou que a análise de mensagens isoladas, fora de contexto, cria narrativas artificiais. O relator destacou que a atuação do Gabinete do PGR pautou-se pelos princípios da legalidade e eficiência. Ele relembrou que, quando o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, decretou a prisão de Vorcaro em 17 de novembro de 2025, o PGR havia se posicionado contrariamente. Contudo, Gonet justificou sua postura na época pela urgência excessiva e o prazo exíguo de 72 horas para analisar um volume documental massivo envolvendo dez investigados, reforçando que, naquele momento, não havia risco de fuga imediata ou custodiados pelo processo.

Sobre as insinuações de uma possível amizade íntima entre o PGR e o ex-banqueiro, o relator foi enfático. Segundo Sanseverino, não há registros de comunicação direta entre os dois. A suspeita levantada por uma anotação em um bloco de notas — que menciona a necessidade de “reforçar com Andrei e Paulo” para evitar problemas — foi considerada frágil pelos investigadores, que não encontraram provas de que o texto tenha sido efetivamente enviado.

O subprocurador também minimizou o impacto de uma fotografia de 2024, em que Gonet e Vorcaro aparecem socialmente em Londres durante um evento jurídico. Sanseverino classificou o registro como um encontro superficial em ambiente público, cercado por outros convidados. Para o relator, mesmo que Vorcaro tivesse nutrido expectativas de obter favores em função desse contato, os desdobramentos posteriores das investigações demonstraram que tais esperanças não se concretizaram, pois o PGR manteve o curso regular da persecução penal.

A sessão foi suspensa para um intervalo de uma hora e deve ser retomada ainda nesta sexta-feira. O desfecho desta análise é decisivo para a condução do caso Master, que continua sob a supervisão da PGR no Supremo Tribunal Federal. O episódio reforça a complexidade das relações entre o cume do Ministério Público Federal e os alvos de grandes operações de corrupção, em um cenário onde o sigilo dos autos frequentemente esbarra nas esferas de influência dos envolvidos.

MARCADOBanco MasterMinistério Público FederalMPFPaulo GonetPGR
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