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Flávio Dino ordena revisão das normas da CVM sob suspeita de fragilidade na fiscalização
Justiça

Flávio Dino ordena revisão das normas da CVM sob suspeita de fragilidade na fiscalização

Última atualização: 20 de Setembro, 2026 12:38
Por
Erre Soares
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3 Min Leia
📷 Rovena Rosa/Agência Brasil
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Brasília (DF) – O ministro Flávio Dino, do STF, deu um prazo de 90 dias para que o governo federal realize uma avaliação técnica e reaprecie as normas vigentes na CVM. A medida busca sanar falhas na condução da autarquia, que atua como reguladora e fiscalizadora do mercado de capitais brasileiro, e insere-se em um processo mais amplo de reestruturação do órgão determinado pelo magistrado.

O foco da decisão gira em torno de fragilidades internas que, segundo o STF, colocam em xeque a independência funcional da comissão. Com base em apontamentos encaminhados pela Transparência Internacional, Dino destacou a existência de indícios de que denúncias estariam sendo arquivadas sem a devida apuração. O ministro ilustrou o cenário com um caso de 2022, no qual irregularidades envolvendo o Banco Master foram antecipadas com precisão, mas não teriam gerado as diligências necessárias.

A determinação também expõe falhas no zelo com denunciantes, citando o descumprimento de diretrizes da CGU voltadas a garantir o anonimato e a proteção de quem reporta irregularidades. A preocupação do tribunal é com o que o ministro classificou como “permissividade sistêmica”. O estopim para essa interpretação foi uma resolução de 2022 que flexibilizou a formação de fundos de investimento em múltiplas camadas, sem impor tetos ou travas de segurança.

Para o STF, esse modelo de fundos sobrepostos dificulta a rastreabilidade de beneficiários econômicos e abre margem para operações de lavagem de dinheiro. “Trata-se de matéria com repercussões diretas sobre a transparência das operações, a identificação dos beneficiários econômicos e a efetividade dos mecanismos de supervisão do mercado”, pontuou o ministro no despacho.

A crise institucional na CVM ganhou corpo em março de 2025, quando o partido Novo provocou a Suprema Corte questionando a destinação das receitas do órgão. O levantamento apresentado à época indicava uma arrecadação de R$ 2,4 bilhões entre 2022 e 2024, dos quais a vasta maioria — cerca de R$ 2,1 bilhões — veio de taxas cobradas pelo próprio órgão. No entanto, o orçamento efetivamente destinado às atividades-fim da comissão somou apenas R$ 670 milhões no período.

O argumento central da ação é que cerca de 70% dos valores arrecadados pela CVM são absorvidos pelo caixa do governo federal, deixando apenas uma fração minoritária para sustentar a estrutura de fiscalização. A decisão de Dino, portanto, não apenas pressiona por mudanças regulatórias imediatas, mas impõe um novo ritmo à forma como a autarquia é gerida e financiada diante das acusações de omissão em investigações de peso.

MARCADOCVMFiscalizaçãoFlávio Dinomercado de capitaisstf
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