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Gilmar Mendes acusa André Mendonça de usar relatoria para interferir na disputa eleitoral
Justiça

Gilmar Mendes acusa André Mendonça de usar relatoria para interferir na disputa eleitoral

Última atualização: 15 de Setembro, 2026 14:06
Por
Erre Soares
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3 Min Leia
📷 Alejandro Zambrana/STF
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Brasília (DF) – O ambiente no Supremo Tribunal Federal atingiu um nível de tensão inédito nesta terça-feira (15). Durante uma sessão extraordinária convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, o ministro Gilmar Mendes disparou críticas diretas contra o colega André Mendonça. O motivo é a condução da relatoria do chamado caso Master, que envolve o ministro Alexandre de Moraes e suspeitas levantadas pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero.

Para Gilmar, não há dúvidas sobre as intenções de Mendonça. Ele afirmou, em tom ríspido, que o viés político-eleitoral na condução do processo seria evidente, chegando a usar o termo pixuleco para descrever o que chamou de manobra eleitoral, em referência ao boneco inflável do presidente Lula frequentemente visto em protestos. “Até as pedras sabem”, disparou o decano, questionando a ética da movimentação. A resposta de Mendonça foi imediata e curta: acusou Mendes de levianidade e exigiu que o colega não apontasse o dedo em sua direção.

A sessão tem o peso de uma decisão histórica: o plenário discute, pela primeira vez, a possibilidade de o STF abrir um inquérito criminal contra um dos seus próprios membros. No centro da controvérsia está um relatório da PF que liga Moraes ao ex-banqueiro Daniel Bueno Vorcaro. O sigilo sobre esse material foi levantado por Mendonça no dia 1º de setembro, gerando um efeito dominó que culminou na atual crise interna.

Gilmar Mendes defendeu que a escolha das datas para essas movimentações não foi acidental, argumentando que o calendário coincidiu deliberadamente com as manifestações de 7 de setembro. Ao fim de sua fala, ele propôs uma questão de ordem pedindo o adiamento do julgamento atual para o dia 23 de setembro. Curiosamente, esta é a data em que o plenário deve analisar um pedido de Moraes, que busca investigar o próprio Mendonça por suposto abuso de autoridade na condução da investigação.

O cenário é de completo racha. Enquanto os ministros Nunes Marques e Dias Toffoli se declararam, respectivamente, impedido e suspeito para participar da votação, Moraes e Mendonça permanecem sentados lado a lado no plenário. A Procuradoria-Geral da República também entrou no embate, questionando a legalidade da forma como o relatório parcial da PF foi tratado por Mendonça, sem consulta prévia aos demais pares.

Os documentos em questão reúnem 52 mensagens que seriam de Vorcaro a Moraes entre 2023 e novembro de 2025. O conteúdo sugere proximidade e menciona um contrato milionário envolvendo o escritório da esposa do ministro, além de questionamentos sobre uma possível operação de prisão. Alexandre de Moraes nega qualquer irregularidade, classificando o relatório como ilegal e inconstitucional. Em resposta, chegou a divulgar um documento não assinado que sugere que Mendonça estaria direcionando investigações contra desafetos, tese que agora deve ser arbitrada pelo colegiado.

MARCADOAlexandre de MoraesAndré MendonçaEdson FachinGilmar MendesOperação Compliance ZeroPolícia FederalstfSupremo Tribunal Federal
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