Brasília (DF) – O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) oficializou nesta sexta-feira (6) a criação da Central de Intermediação em Libras (CIL). O projeto visa eliminar as barreiras de comunicação que historicamente dificultam o acesso de pessoas surdas ou com deficiência auditiva aos serviços do órgão. A partir de agora, o suporte será prestado por videochamada, conectando o cidadão a um intérprete que realiza a tradução simultânea entre a Língua Brasileira de Sinais e o português.
A tecnologia abrange todo o território nacional, alcançando o TSE e os 27 tribunais regionais eleitorais (TREs). O atendimento contempla inclusive brasileiros residentes no exterior. Para aqueles que preferirem o suporte presencial, as unidades da Justiça Eleitoral passarão a oferecer equipamentos específicos na recepção e nas Ouvidorias, garantindo a conexão direta com a central.
Atualmente, a rede de apoio presencial é bastante desigual. Apenas cinco TREs dispõem de intérpretes fixos, concentrados majoritariamente nas capitais. Em diversas regiões, o atendimento ainda depende da boa vontade de acompanhantes ou de métodos rudimentares, como o uso de papel e caneta. A nova ferramenta pretende mudar esse cenário e devolver ao eleitor a autonomia no trato de questões fundamentais da cidadania.
Os números justificam o investimento. Segundo dados do IBGE coletados em 2022, o Brasil possui mais de 2 milhões de pessoas com deficiência auditiva. Já um levantamento do próprio TSE, datado de 2026, contabilizou cerca de 182,3 mil eleitores com esse perfil, o que representa aproximadamente 8,37% do eleitorado com algum tipo de deficiência.
A plataforma pode ser acessada por celular, tablet ou computador, via link, QR Code ou aplicativo. O serviço suporta tanto videochamadas quanto mensagens de texto por meio de um sistema de bate-papo. Para contornar a limitação de pacotes de internet móvel, o sistema opera com rede patrocinada: basta utilizar o aplicativo ICON, disponível para Android e iOS, e ler o QR Code presente no site da Justiça Eleitoral ou nos cartazes fixados nos cartórios.
Quem não dispuser de dispositivos próprios terá à disposição os equipamentos dos cartórios eleitorais. A Central de Intermediação em Libras funcionará rigorosamente dentro do horário de expediente das unidades, respeitando as disparidades de fuso horário brasileiro e reforçando a equipe durante períodos críticos, como o fechamento do cadastro eleitoral ou as datas de pleito, quando a procura pelos serviços tende a crescer exponencialmente.
