Brasília (DF) – A queda de braço nos bastidores do Supremo Tribunal Federal ganhou um novo capítulo neste domingo, 13 de outubro. Em despacho, o ministro André Mendonça negou o envio da totalidade dos dados do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos seus colegas de Corte. Para o magistrado, abrir o conteúdo integral do aparelho agora serviria apenas para tumultuar a sessão extraordinária marcada para a próxima terça-feira, dia 15, além de colocar em risco o futuro das investigações.
Na sessão de terça-feira, os ministros vão decidir se abrem ou não uma investigação formal sobre as supostas relações entre Alexandre de Moraes e Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e hoje preso sob suspeita de fraudes financeiras. Mendonça ressaltou que todo o material estritamente necessário para o julgamento já está disponível para análise dos integrantes do tribunal. Ele questionou o motivo de escancarar o restante do conteúdo privado do telefone neste momento.
A decisão de Mendonça rebate diretamente uma cobrança interna de outros integrantes da Corte. Ministros como Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin haviam solicitado acesso irrestrito aos arquivos extraídos do celular do ex-banqueiro. No entanto, o relator argumentou que a inclusão de elementos novos, fora dos autos, desviaria o processo do seu curso natural e geraria questionamentos que poderiam esvaziar o foco do julgamento.
Guerra de bastidores e retaliação
Até agora, as revelações do celular de Vorcaro trouxeram a público diálogos dele com Moraes. Mendonça também retirou o sigilo de conversas do ex-banqueiro com interlocutores sobre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O vazamento desses contatos estremeceu a cúpula do Judiciário e desencadeou uma crise aberta entre os ministros.
A reação de Moraes foi imediata. Ele incluiu acusações contra o próprio Mendonça no inquérito das Fake News, imputando ao colega condutas de improbidade administrativa, abuso de autoridade e suposto favorecimento a grupos políticos. O troco institucional veio pelas mãos do ministro Edson Fachin, que retirou de Moraes a relatoria do inquérito das Fake News após o acirramento dos ânimos.
O embate deve se estender além desta semana. No dia 23 de outubro, o plenário do Supremo tem na pauta outra sessão para avaliar o pedido de investigação contra o próprio André Mendonça. Contudo, segundo manifestação de Fachin, esse procedimento específico ainda passa por fase de instrução e carece de elementos consolidados para uma decisão imediata dos ministros.
