São Paulo (SP) – O rastro de milhões de transações financeiras clandestinas levou a Polícia Civil de São Paulo a deflagrar, na manhã desta segunda-feira (13), a Operação Disque 151. O alvo é uma organização criminosa estruturada para a exploração de jogos de azar e apostas ilegais, as chamadas bets, que operavam à margem da regulação vigente.
Durante a ofensiva, agentes cumpriram ordens de prisão contra três suspeitos. As capturas ocorreram simultaneamente na capital paulista e em Mogi das Cruzes, cidade da região metropolitana. O impacto do esquema é vasto: a estimativa das autoridades é que cerca de 10 milhões de pessoas tenham sido prejudicadas pela rede de apostas clandestinas.
O volume de movimentações financeiras chamou a atenção dos investigadores. Uma análise minuciosa de dados bancários revelou um fluxo de 38,5 milhões de operações. Em um recorte temporal de apenas seis meses, o grupo teria movimentado aproximadamente R$ 14 milhões, cifras que agora estão na mira da Justiça, que autorizou o bloqueio de R$ 154 milhões em bens e valores.
A investigação, conduzida pela 3ª Delegacia de Investigações sobre Fraudes Financeiras e Econômicas (DIG), levou dois anos para ser concluída. Fernando David de Melo Gonçalves, delegado responsável pelo caso, detalhou o funcionamento da engrenagem ilícita. Os criminosos utilizavam contas-bolsão como ponto de convergência para o dinheiro das apostas. A partir dali, os valores eram pulverizados em uma rede complexa de contas até alcançarem os beneficiários finais — sócios ocultos que mantinham o negócio funcionando nas sombras.
A ofensiva policial segue em andamento, com diligências que buscam identificar outros possíveis envolvidos no esquema. A investida contra o setor ganha contornos de urgência diante da postura recente do governo federal. No final de setembro, foi editada uma medida provisória que proíbe, em todo o território nacional, a exploração, a oferta e qualquer tipo de publicidade vinculada a essas modalidades de apostas.
A proibição, fundamentada em questões de saúde pública, abrange tanto o mercado de apostas esportivas quanto os jogos online, sejam eles praticados em ambientes físicos ou em plataformas digitais. A regra impõe o fim das operações, inclusive daquelas que possuíam autorizações concedidas em âmbito estadual ou pelo Distrito Federal, fechando o cerco contra a atuação clandestina no país.
