Rio de Janeiro (RJ) – Aeronaves executivas, veículos de luxo e imóveis de altíssimo padrão mantidos sob a titularidade de intermediários voltaram ao centro das atenções judiciais na cidade do Rio de Janeiro. Nesta quinta-feira (29), foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão na capital fluminense, marcando o início oficial da nona fase da Operação Unha e Carne. A nova etapa da ofensiva foca em desarticular um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial gerido por uma organização criminosa.
A engrenagem do grupo investigado baseava-se no mascaramento constante da real propriedade de bens com elevado valor econômico. Para impedir que os órgãos de fiscalização e as autoridades identificassem os verdadeiros proprietários dos recursos, o grupo utilizava uma rede diversificada de nomes para registrar o patrimônio. As propriedades e os valores eram formalmente cadastrados em nome de familiares diretos, colaboradores de extrema confiança e terceiros que não possuíam qualquer vínculo formal ou aparente com o núcleo central da organização.
Engrenagem financeira e paraísos fiscais
Além da utilização sistemática de terceiros e interpostas pessoas, conhecidas popularmente como “laranjas”, o funcionamento da estrutura dependia do manuseio frequente de grandes somas de dinheiro em espécie. A estratégia visava executar movimentações financeiras totalmente sem rastreabilidade, garantindo que o fluxo monetário transitasse sem deixar registros auditáveis que pudessem apontar a origem e o destino dos valores.
A complexidade das operações contava ainda com a utilização de empresas registradas tanto no território nacional quanto no exterior. O grupo investigado recorria a corporações sediadas em jurisdições classificadas como paraísos fiscais, criando sucessivas camadas jurídicas para dificultar o rastreamento do dinheiro acumulado e inviabilizar a localização dos ativos em nome dos reais beneficiários.
Uso de holdings e entidades religiosas
A tática de blindagem patrimonial e ocultação avançava sobre estruturas jurídicas e institucionais mais complexas. As apurações apontam indícios consolidados de que o esquema empregava holdings patrimoniais e até mesmo entidades religiosas para promover a desvinculação formal da titularidade entre os bens de elevado valor econômico e as pessoas que realmente se beneficiavam do patrimônio.
Decisão do STF e fases anteriores
Todas as ordens de busca e apreensão executadas nesta fase foram expedidas diretamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF), evidenciando a dimensão e a gravidade da investigação no âmbito do Poder Judiciário. O desdobramento atual dá sequência a um trabalho investigativo que já havia atingido figuras do meio político e da estrutura de segurança pública no estado do Rio de Janeiro.
Em sua etapa anterior, a oitava fase da Operação Unha e Carne havia culminado na prisão de alvos de alto perfil no cenário fluminense. Naquela ocasião, as ações resultaram na prisão de um ex-prefeito de um município localizado na Baixada Fluminense e de um ex-secretário da Polícia Civil fluminense, consolidando o cerco às ramificações políticas e operacionais do grupo.
