Brasília (DF) – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) permanece na mira do Supremo Tribunal Federal (STF) com dois processos criminais ativos, independentemente de sua recente ida para os Estados Unidos. O foro privilegiado garante que o parlamentar, que enfrenta ordens de restrição como a prisão domiciliar, continue sob a jurisdição da Corte suprema.
Um dos inquéritos foca na figura do advogado Willer Tomaz, investigado por lavagem de dinheiro envolvendo apostas esportivas, as chamadas bets. A Polícia Federal identificou o nome do senador em registros mantidos pela secretária de Tomaz; ela teria alertado o advogado sobre o cancelamento de uma conta vinculada à Alcazar Holdings. A empresa, com sede na Ilha da Madeira, em Portugal, é um dos pontos centrais de análise da PF. Na última semana, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, ordenou o bloqueio de ativos que chegam a R$ 6 bilhões do advogado. A medida drástica veio após a constatação de que Tomaz viajou a Miami logo após o cumprimento de mandados de busca e apreensão na Operação Sem Desconto, que esquadrinha irregularidades em aposentadorias.
Conexões sob suspeita
Além da relação com o advogado, o senador é alvo de uma investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de seu pai, Jair Bolsonaro. O caso ganhou contornos mais precisos após a revelação de diálogos entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Registros indicam que o parlamentar teria solicitado aportes financeiros a Vorcaro para viabilizar as filmagens. Embora tenha sido oficialmente incluído no inquérito em julho deste ano, Flávio nega qualquer irregularidade, sustentando que os valores envolvidos teriam natureza privada.
Mesmo com o fim do mandato legislativo previsto para 1º de fevereiro, a tendência é que os processos sigam o curso no STF. A jurisprudência atual da Corte determina que a competência para julgar ex-parlamentares persiste quando os fatos apurados possuem vínculo direto com o exercício da função pública.
Passaportes cancelados
A movimentação internacional de Flávio Bolsonaro ganhou atenção pública nesta terça-feira (27), após relatos de Simón Levy, ex-secretário de Turismo do México, apontarem sua chegada aos EUA sob articulação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. O deslocamento, ocorrido menos de 48 horas após o encerramento do pleito presidencial, foi confirmado por agências internacionais.
Na segunda-feira (26), a Justiça havia determinado que o senador não poderia deixar o território nacional, exigindo a entrega imediata de todos os seus passaportes à Polícia Federal. Com o esgotamento do prazo de 24 horas na manhã desta terça-feira sem o cumprimento da medida, os documentos foram oficialmente cancelados pelas autoridades brasileiras.
