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William Marcel Murad assume comando da PF e defende autonomia após afastamento de chefia
Justiça

William Marcel Murad assume comando da PF e defende autonomia após afastamento de chefia

Última atualização: 8 de Setembro, 2026 14:57
Por
Erre Soares
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3 Min Leia
📷 Marcos Oliveira/Agência Senado
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Brasília (DF) – William Marcel Murad, agora à frente da Polícia Federal em caráter interino, utilizou a abertura do 63º Curso de Formação Profissional em Brasília para reafirmar a postura técnica da corporação. O diretor-executivo assumiu a liderança do órgão nesta terça-feira, 8 de outubro, logo após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinar o afastamento preventivo do então diretor-geral, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada.

A determinação de Mendonça baseou-se em acusações de monitoramento ilegal do magistrado. O ministro sustenta ter sido alvo de vigilância indevida durante o mês passado, período em que, segundo ele, ao menos seis relatórios de inteligência foram produzidos contra sua atuação. O conflito escalou quando o ministro Alexandre de Moraes tornou público um desses documentos para argumentar que Mendonça, na condição de relator, estaria excedendo suas funções ao interferir nos rumos da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Maste.

Ao justificar a medida extrema, o ministro apontou a gravidade e a ilicitude na divulgação dos documentos internos da PF. Para Mendonça, o desligamento imediato de Rodrigues e Almada é o único caminho para cessar a coleta de dados direcionada. A resposta da corporação veio através de um discurso direto de Murad aos 763 alunos presentes na cerimônia de formação. Ele evitou confrontos diretos, mas deixou claro o posicionamento da instituição.

“Temos o dever de defender a nossa instituição de ataques e de tentativas de usurpações de funções”, declarou Murad. O novo comandante reforçou que a preservação das atribuições dentro do sistema de Justiça criminal é o que sustenta a lisura de futuras condenações, classificando a defesa da PF como um compromisso inegociável com o interesse público e com o regime democrático.

Murad aproveitou o momento para reiterar sua confiança absoluta em Andrei Rodrigues, descrevendo a atuação da corporação como pautada pela autonomia, imparcialidade e rigor técnico. Segundo o diretor-executivo, esse perfil de conduta blinda a instituição contra o que chamou de disparates e tentativas de desqualificação do trabalho policial. A convicção é de que a verdade dos fatos, fruto das investigações conduzidas pela equipe, acabará prevalecendo.

O cenário jurídico, contudo, permanece instável. Pouco tempo depois da decisão de Mendonça ser noticiada, a Segunda Turma do STF começou a apreciar o caso, alcançando maioria pela manutenção do afastamento de Rodrigues. O processo foi pausado por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, o que mantém a decisão provisória de Mendonça em vigor até que o julgamento seja retomado. Até o momento, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, pasta à qual a Polícia Federal é subordinada, não apresentou um posicionamento oficial sobre a crise.

MARCADOAndré MendonçaPolícia FederalSegurança PúblicastfWilliam Marcel Murad
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